quinta-feira, 25 de março de 2010

Itinerário Quaresmal - Domingo de Ramos

Domingo de Ramos: Chamados ao sofrimento para salvar

 

Leituras do Domingo de Ramos:

Is.50,4-7; Fil.2,6-11; Lc.22,14 - 23,56

 

Porquê o sofrimento? Podemos fazer-nos esta pergunta um milhão de vezes, mas jamais a nossa razão se conformará com a resposta… Todos fugimos do sofrimento e, no entanto, ele faz parte da nossa condição. Simplesmente porque somos humanos… Não nascemos para sofrer, mas o sofrimento pode tornar-nos mais pessoas, mais maduros, mais compreensivos e solidários, mais… humanos!...

Neste Domingo de Ramos, somos convidados a contemplar o sofrimento. O nosso, como caminho de libertação; o dos outros, como caminho de solidariedade, de fraternidade; o de Cristo, como processo de salvação.

Quando a razão não entende, confina-se ao silêncio…

Entramos na semana do silêncio, da contemplação, entramos no tempo onde o sofrimento faz sentido porque é amor doado…

Iniciamos o tempo em que a cruz se faz princípio de ressurreição!

1.  Vamos escutar o Evangelho que a Liturgia nos propõe (Lc.22,14 - 23,56)

Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus.» Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.» Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.» Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.»«No entanto, vede: a mão daquele que me vai entregar está comigo à mesa! O Filho do Homem segue o seu caminho, como está determinado; mas ai daquele por meio de quem vai ser entregue!» Começaram a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante coisa.Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles devia ser considerado o maior. Jesus disse-lhes: «Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. Convosco, não deve ser assim; o que fôr maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve. Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas minhas provações, e Eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai dispõe dele a meu favor, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu Reino. E haveis de sentar-vos, em tronos, para julgar as doze tribos de Israel.» E o Senhor disse: «Simão, Simão, olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.» Ele respondeu-lhe: «Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte.» Jesus disse-lhe: «Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me.» Depois, acrescentou: «Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, faltou-vos alguma coisa?» Eles responderam: «Nada.» E Ele acrescentou: «Mas agora, quem tem uma bolsa que a tome, assim como o alforge, e quem não tem espada venda a capa e compre uma. Porque, digo-vo-lo Eu, deve cumprir-se em mim esta palavra da Escritura: Foi contado entre os malfeitores. Efectivamente, o que me diz respeito chega ao seu termo.» Disseram-lhe eles: «Senhor, aqui estão duas espadas.» Mas Ele respondeu-lhes: «Basta!» Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em tentação.» Depois afastou-se deles, à distância de um tiro de pedra, aproximadamente; e, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.» Então, vindo do Céu, apareceu-lhe um anjo que o confortava. Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. Depois de orar, levantou-se e foi ter com os discípulos, encontrando-os a dormir, devido à tristeza. Disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.» Ainda Ele estava a falar quando surgiu uma multidão de gente. Um dos Doze, o chamado Judas, caminhava à frente e aproximou-se de Jesus para o beijar. Jesus disse-lhe: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?» Vendo o que ia suceder, aqueles que o cercavam perguntaram-lhe: «Senhor, ferimo-los à espada?» E um deles feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. Mas Jesus interveio, dizendo: «Basta, deixai-os.» E, tocando na orelha do servo, curou-o. Depois, disse aos que tinham vindo contra Ele, aos sumos sacerdotes, aos oficiais do templo e aos anciãos: «Vós saístes com espadas e varapaus, como se fôsseis ao encontro de um salteador! Estando Eu todos os dias convosco no templo, não me deitastes as mãos; mas esta é a vossa hora e o domínio das trevas.» Apoderando-se, então, de Jesus, levaram-no e introduziram-no em casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe.Tendo acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se e Pedro sentou-se no meio deles. Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao lume, fitando-o, disse: «Este também estava com Ele.» Mas Pedro negou-o, dizendo: «Não o conheço, mulher.» Pouco depois, disse outro, ao vê-lo: «Tu também és dos tais.» Mas Pedro disse: «Homem, não sou.» Cerca de uma hora mais tarde, um outro afirmou com insistência: «Com certeza este estava com Ele; além disso, é galileu.» Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes.» E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou um galo. Voltando-se, o Senhor fixou os olhos em Pedro; e Pedro recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: «Hoje, antes de o galo cantar, irás negar-me três vezes.»  E, vindo para fora, chorou amargamente. Entretanto, os que guardavam Jesus troçavam dele e maltratavam-no. Cobriam-lhe o rosto e perguntavam-lhe: «Adivinha! Quem te bateu?» E proferiam muitos outros insultos contra Ele. Quando amanheceu, reuniu-se o Conselho dos anciãos do povo, sumos sacerdotes e doutores da Lei, que o levaram ao seu tribunal. Disseram-lhe: «Declara-nos se Tu és o Messias.» Ele respondeu-lhes: «Se vo-lo disser, não me acreditareis e, se vos perguntar, não respondereis. Mas doravante, o Filho do Homem vai sentar-se à direita de Deus todo-poderoso.» Disseram todos: «Tu és, então, o Filho de Deus?» Ele respondeu-lhes: «Vós o dizeis; Eu sou.» Então, exclamaram: «Que necessidade temos já de testemunhas? Nós próprios o ouvimos da sua boca.»

Levantando-se todos, levaram-no a Pilatos e começaram a acusá-lo, nestes termos: «Encontrámos este homem a sublevar o povo, a impedir que se pagasse tributo a César e a dizer-se Ele próprio o Messias-Rei.» Pilatos interrogou-o: «Tu és o rei dos judeus?» Jesus respondeu: «Tu o dizes.» Pilatos disse, então, aos sumos sacerdotes e à multidão: «Nada encontro de culpável neste homem.» Mas eles insistiram, dizendo: «Ele amotina o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia até aqui.» Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu; e, ao saber que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também se encontrava em Jerusalém nesses dias. Ao ver Jesus, Herodes ficou extremamente satisfeito, pois havia bastante tempo que o queria ver, devido ao que ouvia dizer dele, esperando que fizesse algum milagre na sua presença. Fez-lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu. Os sumos sacerdotes e os doutores da Lei, que lá estavam, acusavam-no com veemência. Herodes, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa, enviando-o de novo a Pilatos. Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois eram inimigos um do outro. Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e disse-lhes: «Trouxestes este homem à minha presença como se andasse a revoltar o povo. Interroguei-o diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais. Herodes tão-pouco, visto que no-lo mandou de novo. Como vedes, Ele nada praticou que mereça a morte. Vou, portanto, libertá-lo, depois de o castigar.» Ora, em cada festa, Pilatos era obrigado a soltar-lhes um preso. E todos se puseram a gritar: «A esse mata-o e solta-nos Barrabás!» Este último fora metido na prisão por causa de uma insurreição desencadeada na cidade, e por homicídio. De novo, Pilatos dirigiu-lhes a palavra, querendo libertar Jesus. Mas eles gritavam: «Crucifica-o! Crucifica-o!» Pilatos disse-lhes pela terceira vez: «Que mal fez Ele, então? Nada encontrei nele que mereça a morte. Por isso, vou libertá-lo, depois de o castigar.» Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência. Então, Pilatos decidiu que se fizesse o que eles pediam. Libertou o que fora preso por sedição e homicídio, que eles reclamavam, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam. Quando o iam conduzindo, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás de Jesus. Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; pois virão dias em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram.’ Hão-de, então, dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’ E às colinas: ‘Cobri-nos!’ Porque, se tratam assim a árvore verde, o que não acontecerá à seca?» E levavam também dois malfeitores, para serem executados com Ele. Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.»Depois, deitaram sortes para dividirem entre si as suas vestes.  O povo permanecia ali, a observar; e os chefes zombavam, dizendo: «Salvou os outros; salve-se a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito.» Os soldados também troçavam dele. Aproximando-se para lhe oferecerem vinagre, diziam: «Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!» E por cima dele havia uma inscrição: «Este é o rei dos judeus.» Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-o, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.» Mas o outro, tomando a pala- vra, repreendeu-o: «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções mereciam; mas Ele nada praticou de condenável.» E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.» Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.» Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a região até às três horas da tarde. O Sol tinha-se eclipsado e o véu do templo rasgou-se ao meio. Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou. Ao ver o que se passava, o centurião deu glória a Deus, dizendo: «Verdadeiramente, este homem era justo!» E toda a multidão que se tinha aglomerado para este espectáculo, vendo o que acontecera, regressava batendo no peito. Todos os seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia mantinham-se à distância, observando estas coisas.

Um membro do Conselho, chamado José, homem recto e justo, não tinha concordado com a decisão nem com o procedimento dos outros. Era natural de Arimateia, cidade da Judeia, e esperava o Reino de Deus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Descendo-o da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Era o dia da Preparação e já começava o sábado. Entretanto, as mulheres que tinham vindo com Ele da Galileia acompanharam José, observaram o túmulo e viram como o corpo de Jesus fora depositado. Ao regressar, prepararam aromas e perfumes; e, durante o sábado, observaram o descanso, conforme o preceito.

Sofrer para salvar



2. Jesus havia entrado decidido em Jerusalém. Tinha abraçado a vontade do Pai como projecto de vida. Sabia que sua missão consistia em salvar a humanidade, e a salvação passava pela dignificação da pessoa humana, pela denúncia de todas as opressões. Pusera-se ao lado dos sofridos e dos marginalizados, e isso era imperdoável aos olhos das autoridades. O seu dedo em riste havia sido duro demais! A sua língua afiada havia falado demais. A sua presença era demasiado incomodativa, um desfio constante... Nada mais lhe restava, senão a morte.

Jesus conhecia muito bem qual era o seu fim. Sabia que tinha ido longe de mais, que a sua determinação o levaria à morte.

3. Podia ter escapado... os seus amigos haviam-no aconselhado a não subir a Jerusalém. Mas sabia também que a cruz era parte da missão, era o seu desfecho mais certo…

- “Se o grão de trigo não morrer, como poderá dar fruto”?

- “A minha vida, ninguém ma tira: sou que a dou”

- “Não há maior prova da amor do que dar a vida por aquele que se ama”

Claro que o sofrimento lhe causa medo. O sangue, qual suor escorrendo pelo seu rosto é bem indício disso. Jesus não é nenhum herói, nem tão pouco um masoquista ansioso por sofrer:

- “Pai, afasta de mim este cálice, mas que se faça a tua vontade e não a minha”

Assume a cruz como missão que o Pai lhe confia em resgate de toda a humanidade.

É a expressão mais profunda do amor de Deus: o filho entregue em resgate dos servos. A humilhação e a morte como princípio de exaltação e de vida.

Enfrentou todos os sofrimentos, aceitou toda a espécie de tortura, submeteu-se à mais profunda de todas as humilhações: o Filho de Deus é traído, abandonado, sofrido, escravizado, negado, ridicularizado, assassinado. No seu corpo e na sua alma assumiu as mais degradantes situações a que uma pessoa humana pode ser submetida. O grande sofrido da História assume, concentra na sua pessoa, o sofrimento de toda a Humanidade em todos os tempos e situações. A todos encarna no seu sofrimento, como que mostrando a predilecção de Deus por cada pessoa, por cada desprezado, por cada sofrido. Deus sofre em cada sofrido, Deus morre por cada sofrido.

4. “Quando o conduziam, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para a levar atrás de Jesus”.

Ficou para a História, este Simão… A História não é feita só de agressões e opressões… é também feita de gesto solidários. Na hora do sofrimento até o Filho de Deus precisa de um Cireneu. Passara fazendo o bem; devolvera a vida e a dignidade a muitos; marcara presença ao lado dos sem vez e sem voz… agora era a sua vez de estender a mão para sentir a presença de alguém amigo: dor partilhada dói menos!...

5. “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no…”

Da sua boca não sai um queixume, uma palavra de ressentimento, uma ameaça: no seu coração só há lugar para a aceitação, para a compreensão, para o perdão: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.

Quando se passou a vida fazendo o bem, quando se fez da vida um serviço e se gastaram as energias até à última gota, só resta o espírito… também esse, ele coloca nas mãos do Pai. Missão cumprida!

O véu do templo rasgou-se: o rosto de Deus foi revelado à humanidade. Agora podemos entender até onde vai o amor de Deus!...

Chamados a salvar

Entra no teu quarto e no meio do silêncio, contempla o Crucificado.

Diante dele, também nós precisamos aprender a viver de verdade.

ü  Quais o valores que orientam a tua vida?


ü 
Quais as seguranças do teu viver?

ü  Qual a tua missão?

Diante do Crucificado, também nós precisamos descobrir o amor de Deus na nossa vida

ü Ele se tornou um de nós para com sua vida resgatar a nossa dignidade, gerar libertação, oferecer salvação: estaremos nós dispostos a aceitar a vida que Ele nos oferece? Quereremos nós assumir na vida a atitude de Deus tornando-nos vida uns para os outros?

ü Seremos nós capazes de nos unir à paixão de Cristo para com Ele salvarmos o mundo?

 Diante do Crucificado, também nós precisamos aprender solidariedade, comunhão, fraternidade

ü Em cada pessoa que sofre é Ele que te estende a mão, partilhando a Sua dor, pedindo a tua compreensão, a tua presença amiga. Aceitas ser Cireneu na vida do teu irmão que sofre?


segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia Jovem Diocesano - Testemunho




Foi no dia 20 de Março do corrente ano que em Lardosa - Alcaíns se realizou mais um Dia Jovem da nossa Diocese Portalegre- Castelo Branco.
O encontro teve início às 9h30 na Igreja Matriz de Lardosa, onde todos os grupos de jovens vindos dos vários pontos da diocese se reuniram e se deram a conhecer. Todos eles foram chamados a participar neste dia de festa, ao qual responderam com grande agrado e entusiasmo levando consigo a certeza de celebração de um Cristo que é jovem.
A chuva não foi impedimento para que a Oração da Manhã decorresse como previsto e se desse início à caminhada que ligaria as localidades de Lardosa e Alcaíns. A alegria, a música, o espírito jovem e a união de esforços foram cruciais para que os 10 kms não se fizessem notar.
Com maior ou menor resistência, todos atingiram o objectivo a que se propuseram - a chegada ao Seminário de Alcains -onde as energias gastas foram imediatamente recuperadas com o almoço partilhado entre todos. Assim se mostrou o altruísmo e espírito de união que caracterizam estes jovens a quem muitas vezes chamam de 'geração rasca'.
O convívio, a partilha de experiências foram ingredientes principais para que o encontro decorresse tão bem, fazendo-se notar também durante a tarde. No decorrer desta foi-nos dada a oportunidade de ver o que é a vida de alguém que se entrega total e incondicionalmente a Deus, através do Pe. Nuno e do Pe. Emanuel - padres da nossa diocese.
O dia não poderia findar sem a grande festa em Sua casa, à qual todos somos chamados. Assim, por volta das 16h30 foi celebrada a Eucaristia na Igreja Matriz de Alcaíns presidida pelo Sr. Bispo D. Antonino e animada pelo Movimento Encontros de Jovens Shalom.
Se agora me questionarem sobre o que é ser um jovem cristão aqui em Castelo Branco eu digo que é das melhores coisas do Mundo, pois sei que não estou sozinha e isso dá força para que todo o meu trabalho e empenho continuem.
Desde já aproveito para agradecer a todos os que prepararam este dia, a todos aqueles que contribuiram para que ele jamais seja esquecido. Àqueles que nele participaram, os meus parabéns, o dom de cada um de certo que fez a diferença!


Margarida Barbudo (SP S. Miguel da Sé)


"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no oceano. Mas ele seria menor se lhe faltasse uma gota." (Madre Teresa de Calcutá)

domingo, 21 de março de 2010

Itinerário Quaresmal - V Semana

Quinta Semana: Chamados a converter o coração

Leituras do 5º Domingo da Quaresma: Is 43,16-21; Salmo 125 (126); Fil 3,8-14; Jo 8,1-11

O primeiro domingo da Quaresma fazia-nos o apelo para nos deixarmos conduzir ao deserto. Convite igual para fazermos deste itinerário um tempo de silêncio e fecundidade interior. O deserto e a montanha das duas primeiras semanas fizeram eco desse desafio. Logo após veio o convite para descermos do monte e nos embrenharmos nos caminhos da planície. Caminhos do quotidiano que Jesus percorreu cantando a beleza do Reino em notas de
sublime compaixão e ternura. Anunciando aos peregrinos de cada tempo oportunidades sempre novas de refazer a vida para que ela dê frutos abundantes. As notas mais harmoniosas dessa sinfonia ouvimo-las no domingo passado. O domingo da alegria convida-nos à festa do e no coração de Deus. O pai misericordioso abraça o filho que regressa a casa e faz festa abundante de carnes suculentas e vinho abundante. O banquete do Reino é convite à misericórdia tanto para os de dentro como para os de fora.
Chegamos à quinta semana. A Palavra continua a fazer convites ousados. A celebração do mistério pascal já se avista no horizonte. A força da ressurreição que brotará do escândalo da Cruz vai desenhando como que em antecipação, derradeiros apelos de conversão. As palavras do evangelho deste domingo evidenciam-no. Chamados a converter o coração. Sintetiza outros tantos convites: a perdoar, à não-violência, à compaixão, ao resgate da dignidade, à valorização da mulher.
Converter o coração. Caminho e processo. Contínuo. Retomado a cada momento de desânimo ou depois de cada tropeço. O coração é deserto que pode transformar-se num campo de trigo. Pela acção fecunda da graça. “Vou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra árida.” – são palavras de Isaías na primeira leitura. Converter o coração. Proposta para esta semana. Para a vida inteira.

1. Vamos escutar o Evangelho que a Liturgia nos propõe (Jo 8,1-11)
Naquele tempo, Jesus foi para o Monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo, e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».


2. Um dia Pedro teve a ousadia de perguntar ao Mestre: Se um irmão me ofender, até quantas vezes poderei perdoar-lhe? Até sete vezes? A resposta não se fez esperar. E o Mestre deixou-o perplexo e confundido. Não somente sete vezes, mas setenta vezes sete. A perplexidade atravessou as eras e aninhou-se na consciência de homens e mulheres de todos os tempos. O efeito nunca foi o desejado. As relações humanas intempestivas e a Chamados a converter o coração dificuldade em aceitar os erros dos outros fazem eco dessa incapacidade. Não bastasse isso desde sempre, e não só na nossa tradição religiosa, apropriamo-nos do nome de Deus para justificar os nossos desejos de violência e a nossa dificuldade para a convivência fraterna. O legalismo e a intransigência fizeram vítimas aos milhares. Umas derramaram o sangue. A outras roubaram-lhes a dignidade. A muitas o brilho dos olhos esmoreceu para sempre tolhido pela incompreensão e pela intolerância. O relato deste domingo enquadra-se neste contexto. Jesus passa a noite no monte das Oliveiras. De manhã cedo desce ao Templo para ensinar. O Templo remete para o lugar do encontro com Deus. Mas que se configura também com o património intocável da Lei judaica. Uma lei que “permite” que se apedreje uma mulher apanhada em adultério. Foi colocada na roda. Aviltada pela Lei e pelos intocáveis escribas e fariseus. Condenada mesmo antes de ser exposta ao insulto. Jesus tem de se posicionar.


3. «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Jesus fica calado. Remete-se ao silêncio. Abaixa-se e escreve no chão. Insistem e pressionam. Levanta-se e desmascara a sua intocabilidade. A sua condição de superioridade, garantia para executar uma lei injusta. Onde estava o homem que fora apanhado junto com a mulher? A mulher veio para a roda. Ele não. «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no
chão. Saíram todos. A começar pelos mais velhos. A consciência começa a pesar mais do que a Lei. Não dá para esconder a voz da consciência repentinamente acordada. Atirar a primeira pedra. Uma enorme responsabilidade. Que ninguém quer assumir. A responsabilização impede a violência iminente. Saem apressados. Jesus fica a sós com a mulher. «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar». Duas vezes Jesus interrompe o seu silêncio. Para desmascarar e para perdoar. Aos acusadores da mulher atira palavras que obrigam ao silêncio. E o silêncio leva ao desconforto. O desconforto leva à necessidade de retirarem-se depressa. Deixando as pedras no chão. A segunda vez envia palavras de compaixão ao coração da mulher que ficara sozinha. Oferece o perdão. Convida a uma vida carregada de dignidade. Onde o pecado não trave o conforto de se sentir amada. Entre um olhar de ternura e as palavras de misericórdia uma vida é resgatada. Arrancada à violência da Lei e ao puritanismo dos seus líderes.

4. Arrisquemos lembrar de situações actuais onde “mulheres adúlteras” são colocadas na roda. Lembremos dos jovens delinquentes, prisioneiros de práticas violentas em que se inserem cada vez mais cedo; os jovens atirados para as ruas onde a droga os convida a descer ao inferno; os imigrantes que nos procuram em busca de dignidade e respeito; as prostitutas de qualquer esquina vivendo na esperança de alcançar um amor que nunca virá; os homossexuais obrigados a carregar o estigma da rejeição social; os presos condenados ao isolamento à espera que um dia alguém lhe dê uma oportunidade; os desempregados que a crise e o desmando lançou na pobreza iminente, apenas mitigada por breves meses de subsídio. A atitude de Jesus leva-nos a pensar na forma como lidar com situações de tantas “mulheres adúlteras” na nossa sociedade. A quem o peso da lei continua a ser imposto. A quem a sociedade quer manter longe nem que seja à custa de práticas violentas e leis indignas. Indignas porque incapazes de olhar para a pessoa no seu conjunto, na sua humanidade e dignidade. No respeito que merece. No resgate e na oportunidade que não sabem realizar.
É muito fácil julgar e condenar. Sobretudo quando a nossa vida está segura. E o emprego garantido. E a fama intocável. E o reconhecimento dos outros a elevar a auto-estima. E o sentido do dever cumprido em alta. E a religião como garantia. E Deus pretensamente do nosso lado. Assim, não custa nada atirar a primeira pedra. A não ser que alguém (Jesus) nos acorde. E nos responsabilize. Para que da nossa condição de humanidade, de crentes e sobretudo de pecadores, ousemos lançar as pedras ao chão.

5. Reflecte em silêncio os apelos que a Palavra desta semana te faz. Partilha o teu momento de reflexão com alguém (do teu grupo, família, comunidade).


Converter o coração!


Abrir as portas à misericórdia. Aceitar o silêncio de Jesus e cair em si de tantos “adultérios”. Olhar os próprios pecados. Acolher misérias pessoais. Aceitar desconcertos interiores sem constrangimento e escrúpulo. Integrar na vida o mistério do mal que nos habita. Abrir-se ao silêncio do coração de Deus que regenera. E não condena. E dignifica. E perdoa. Converter o coração! Oferecer uma oportunidade. A si mesmo como pecador. E aos outros pecadores. A
oportunidade para que a graça habite. Para que o ser se refaça. Para que o caminho recomece. E no caminhar a vida se instale. E arme uma tenda definitiva. A mesma tenda que Deus armou no coração da terra. Converter o coração. Abrir-se à compaixão infinita. À misericórdia do coração de Deus. Ao seu amor sempre criativo. Regenerador. Deixar-se encontrar por esse amor. Como a adultera do evangelho. E nesse encontro salvador lançar-se na aventura de amar. Converter o coração! Assumir esta atitude revolucionária e escandalosa
de não julgar. Aceitar e resgatar. Devolver a dignidade. Perdoar. Sete vezes. E setenta vezes sete. Converter o coração! E não discriminar. E não calar a voz quando o silêncio de todos os “adúlteros” se fizer ouvir. Os excluídos da sociedade. Os injustamente acusados, julgados e condenados. Os injustamente discriminados. As vítimas da violência doméstica. No namoro e no casamento. Os jovens delinquentes. Os imigrantes indesejados. Os drogados e as prostitutas. Os maltrapilhos das cidades que moram ao relento. Converter o coração! Valorizar. Acolher. Tratar com igual dignidade. A todos. Homens e mulheres. Na sociedade e na igreja. No emprego e em casa. Na política ou em qualquer ambiente. Dentro e fora. Converter o coração! Acreditar na paz. Atirar pedras ao chão para quebrar ciclos de violência. Responsabilizar-se por caminhos novos de justiça verdadeira. Dar o primeiro passo para ir ao encontro de qualquer coração. Mesmo daqueles a quem a nossa “lógica” gostaria de apedrejar.
Converter o coração! Proposta para esta semana. Para a Quaresma. Para a vida inteira.

domingo, 14 de março de 2010

Itinerário Quaresmal - IV Semana

Quarta Semana: Chamados à misericórdia

Leituras do 4º Domingo da Quaresma:

Jos.5,9a.10-12; 2Cor.5,17-21; Lc.15,1-3.11-32

1. Estamos exactamente a meio da Quaresma e se esta é um caminho que tem como ponto de chegada a Páscoa e, portanto, nos faz reflectir o sentido do ser cristão, então podemos dizer que, neste domingo, nos encontramos no centro da fé cristã.

Ao longo do Evangelho dá para perceber como Jesus, na sua relação com a Lei se refere primeiramente a Dez Mandamentos, depois a seis, também chamados sociais (não matarás, não cometerás adultério, honra teu pai e tu mãe…), sintetizando tudo em dois (amarás a Deus sobre todas as coisa e ao próximo como a ti mesmo), para nos deixar como testamento apenas um: “Nisto mostrareis que sois meus discípulos, se vos amardes como Eu vos amei”.
Na primeira Carta de João, há duas frases que são chave: “Amemo-nos uns aos outros porque o amor vem de Deus… quem não ama não conhece a Deus porque Deus é amor” e ainda: “Como podes amar a Deus que não vês se não amas o teu irmão que vês?”

Neste domingo, Jesus convida-nos a pormos de lado a fé intimista e a aprendermos de Seu Pai o amor e a misericórdia. Quaresma é isso: tempo de olharmos o outro como próximo, o próximo como irmão...


2. Vamos escutar o Evangelho que a Liturgia nos propõe (Lc.15,1-3.11-32)
Aproximavam-se dele todos os cobradores de impostos e pecadores para o ouvirem. Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.» Jesus propôs-lhes, então, esta parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.’ E o pai repartiu os bens entre os dois. Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada. Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações. Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E, caindo em si, disse: ‘Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.’ E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. O filho disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.’ Mas o pai disse aos seus servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.’ E a festa principiou. Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. Disse-lhe ele: ‘O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.’ Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. Respondendo ao pai, disse-lhe: ‘Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.’ O pai respondeu-lhe: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.’»

Chamados à misericórdia


3. Quando escutamos as parábolas de Jesus ficamos muitas vezes com a sensação de que alguma coisa não joga bem. Acontece isso na parábola do ‘administrador infiel’ onde nos dá a sensação de que Jesus elogia a corrupção; na da ‘ovelha perdida’ onde nos interrogamos se é justo deixar as noventa e nove por causa de uma, etc. Na verdade Jesus usa as parábolas para nos fazer entender algo mais sem se preocupar muito com a coerência dos pormenores. Nesta é diferente: nela tudo faz sentido e parece que quanto mais olhamos os seus pormenores mais questionamentos colocamos à nossa vida.
Parábola do Filho Pródigo ou Parábola do Pai Misericordioso?


Se atendermos à figura central do texto não podemos deixar de reconhecer um Pai bondoso, acolhedor e compreensivo, que não pode ser outro senão o Deus de Jesus Cristo.
A história de Jesus tem como destinatários, não tanto os pecadores (vistos como desprezíveis e motivo de vergonha pelos fariseus e legistas), de quem Jesus se faz companheiro (come com eles...), como visa especialmente os críticos desta atitude: homens crentes, fervorosos e zelosos da fé, sem dúvida, mas incapazes de captar, nos gestos e atitudes de Jesus, a expressão da essência de Deus, o amor incondicional.
Ao contar-lhes esta parábola, Jesus convida-os a ultrapassarem os limites do conceito de Deus que se impuseram e a reconhecerem na pessoa de Jesus e seus actos, o mistério de Deus que se revela.
Jesus faz isso apresentando três retratos correspondendo cada um deles a uma atitude diferente:
O retrato do filho mais novo:
 Um jovem sonhador deixa-se levar pela rebeldia da idade e resolve empreender, sozinho, a aventura de viver. Há nele uma ânsia de liberdade, de cortar as amarras, de sair da rotina. Está cansado de depender do pai, quer ser o dono da sua vida, construir, ao seu jeito, a felicidade. Exige dinheiro ao pai e parte para uma terra distante. É interessante esta referência a uma 'terra distante' e que expressa afastamento (sobretudo afectivo) do Pai. Aí, dissipa todos os bens e cai na miséria mais degradante: sem ganhar sequer para comer põe-se ao serviço de um homem que o manda guardar os porcos. Ao frisar o tipo de trabalho, o evangelista pretende deixar bem clara a degradação mais humilhante a que leva a ausência do amor: o porco é por excelência, para o judeu o animal impuro; cuidar dos porcos, a que se junta a referência de nem sequer poder comer as alfarrobas "porque ninguém lhas dava", é situar-se abaixo dos porcos. Mas é a partir desta humilhação que experimenta Se atendermos à figura central do texto não podemos deixar de reconhecer um Pai bondoso, acolhedor e compreensivo, que não pode ser outro senão o Deus de Jesus Cristo.
A história de Jesus tem como destinatários, não tanto os pecadores (vistos como desprezíveis e motivo de vergonha pelos fariseus e legistas), de quem Jesus se faz companheiro (come com eles...), como visa especialmente os críticos desta atitude: homens crentes, fervorosos e zelosos da fé, sem dúvida, mas incapazes de captar, nos gestos e atitudes de Jesus, a expressão da essência de Deus, o amor incondicional.
Ao contar-lhes esta parábola, Jesus convida-os a ultrapassarem os limites do conceito de Deus que se impuseram e a reconhecerem na pessoa de Jesus e seus actos, o mistério de Deus que se revela.
Jesus faz isso apresentando três retratos correspondendo cada um deles a uma atitude diferente:
O retrato do filho mais novo:
 Um jovem sonhador deixa-se levar pela rebeldia da idade e resolve empreender, sozinho, a aventura de viver. Há nele uma ânsia de liberdade, de cortar as amarras, de sair da rotina. Está cansado de depender do pai, quer ser o dono da sua vida, construir, ao seu jeito, a felicidade. Exige dinheiro ao pai e parte para uma terra distante. É interessante esta referência a uma 'terra distante' e que expressa afastamento (sobretudo afectivo) do Pai. Aí, dissipa todos os bens e cai na miséria mais degradante: sem ganhar sequer para comer põe-se ao serviço de um homem que o manda guardar os porcos. Ao frisar o tipo de trabalho, o evangelista pretende deixar bem clara a degradação mais humilhante a que leva a ausência do amor: o porco é por excelência, para o judeu o animal impuro; cuidar dos porcos, a que se junta a referência de nem sequer poder comer as alfarrobas "porque ninguém lhas dava", é situar-se abaixo dos porcos. Mas é a partir desta humilhação que experimenta 5. Partilha a tua reflexão com alguém que te seja próximo (família, amigo, grupo) ou …talvez seja o momento de procurares um sacerdote para celebrares a Reconciliação…


6. Salmo 25
Para ti, Senhor, elevo o meu espírito.
Meu Deus, em ti confio: não seja confundido,
nem escarneçam de mim os inimigos.
Pois os que esperam em ti não serão confundidos; mas sejam confundidos os que atraiçoam sem motivo.
Mostra-me, Senhor, os teus caminhos e ensina-me as tuas veredas.
Dirige-me na tua verdade e ensina-me, porque Tu és o Deus meu salvador.
Em ti confio sempre. Lembra-te, Senhor, da tua compaixão e do teu amor, pois eles existem desde sempre.
Não recordes os meus pecados de juventude e os meus delitos. Lembra-te de mim, Senhor, pelo teu amor e pela tua bondade.
O Senhor é bom e justo; por isso ensina o caminho aos pecadores, guia os humildes na justiça e dá-lhes a conhecer o seu caminho.
Todos os caminhos do Senhor são amor e fidelidade, para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.
Por amor do teu nome, Senhor,


perdoa o meu pecado, pois é muito grande.
Quem é o homem que teme ao Senhor?
Ele lhe ensinará o caminho a seguir.
A sua vida decorrerá feliz, e os seus descendentes possuirão a terra. O Senhor comunica os seus segredos aos que o temem e dá-lhes a conhecer a sua aliança.
Os meus olhos estão sempre postos no Senhor, porque Ele tira os meus pés da armadilha. Volta-te para mim, Senhor, e tem compaixão, porque me encontro só e abandonado.
Afasta as angústias do meu coração e livra-me das minhas angústias. Vê a minha miséria e o meu sofrimento e perdoa todos os meus pecados.
Vê como são numerosos os meus inimigos e como sentem por mim um ódio implacável. Guarda a minha vida e salva-me.
Eu confio em ti, não me deixes ficar envergonhado. Que a honestidade e a rectidão me protejam, pois em ti confiei. Ó Deus, livra Israel de todas as suas angústias!


Dia Jovem Diocesano - 20 Março

Decorrerá no próximo dia 20 de Março o Dia Jovem Diocesano. O Encontro terá início às 9h30 na Lardosa de onde os jovens partirão, em caminhada, até Alcaíns. Durante a tarde haverá actividades no Seminário de Alcaíns. O encontro terminará às 16h30 com Eucaristia presidida pelo Sr. Bispo D. Antonino na Igreja Matriz de Alcaíns.

quarta-feira, 10 de março de 2010