sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mensagem de Sua Santidade Bento XVI para a Celebração do Dia Mundial da Paz


LIBERDADE RELIGIOSA, CAMINHO PARA A PAZ


1. NO INÍCIO DE UM ANO NOVO, desejo fazer chegar a todos e cada um os meus votos: votos de serenidade e prosperidade, mas sobretudo votos de paz. Infelizmente também o ano que encerra as portas esteve marcado pela perseguição, pela discriminação, por terríveis actos de violência e de intolerância religiosa.

Penso, em particular, na amada terra do Iraque, que, no seu caminho para a desejada estabilidade e reconciliação, continua a ser cenário de violências e atentados. Recordo as recentes tribulações da comunidade cristã, e de modo especial o vil ataque contra a catedral siro-católica de «Nossa Senhora do Perpétuo Socorro» em Bagdad, onde, no passado dia 31 de Outubro, foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinquenta fiéis, quando se encontravam reunidos para a celebração da Santa Missa. A este ataque seguiram-se outros nos dias sucessivos, inclusive contra casas privadas, gerando medo na comunidade cristã e o desejo, por parte de muitos dos seus membros, de emigrar à procura de melhores condições de vida. Manifesto-lhes a minha solidariedade e a da Igreja inteira, sentimento que ainda recentemente teve uma concreta expressão na Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos, a qual encorajou as comunidades católicas no Iraque e em todo o Médio Oriente a viverem a comunhão e continuarem a oferecer um decidido testemunho de fé naquelas terras.

Agradeço vivamente aos governos que se esforçam por aliviar os sofrimentos destes irmãos em humanidade e convido os católicos a orarem pelos seus irmãos na fé que padecem violências e intolerâncias e a serem solidários com eles. Neste contexto, achei particularmente oportuno partilhar com todos vós algumas reflexões sobre a liberdade religiosa, caminho para a paz. De facto, é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal. Noutras regiões, há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos. Os cristãos são, actualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem frequentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa. Não se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e à dignidade humana; além disso, é uma ameaça à segurança e à paz e impede a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral.[1]

De facto, na liberdade religiosa exprime-se a especificidade da pessoa humana, que, por ela, pode orientar a própria vida pessoal e social para Deus, a cuja luz se compreendem plenamente a identidade, o sentido e o fim da pessoa. Negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade significa cultivar uma visão redutiva da pessoa humana; obscurecer a função pública da religião significa gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada à verdadeira natureza da pessoa; isto significa tornar impossível a afirmação de uma paz autêntica e duradoura para toda a família humana.

Por isso, exorto os homens e mulheres de boa vontade a renovarem o seu compromisso pela construção de um mundo onde todos sejam livres para professar a sua própria religião ou a sua fé e viver o seu amor a Deus com todo o coração, toda a alma e toda a mente (cf. Mt 22, 37). Este é o sentimento que inspira e guia a Mensagem para o XLIV Dia Mundial da Paz, dedicada ao tema: Liberdade religiosa, caminho para a paz.

Direito sagrado à vida e a uma vida espiritual

2. O direito à liberdade religiosa está radicado na própria dignidade da pessoa humana,[2] cuja natureza transcendente não deve ser ignorada ou negligenciada. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 27). Por isso, toda a pessoa é titular do direito sagrado a uma vida íntegra, mesmo do ponto de vista espiritual. Sem o reconhecimento do próprio ser espiritual, sem a abertura ao transcendente, a pessoa humana retrai-se sobre si mesma, não consegue encontrar resposta para as perguntas do seu coração sobre o sentido da vida e dotar-se de valores e princípios éticos duradouros, nem consegue sequer experimentar uma liberdade autêntica e desenvolver uma sociedade justa.[3]

A Sagrada Escritura, em sintonia com a nossa própria experiência, revela o valor profundo da dignidade humana: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes? Fizestes dele quase um ser divino, de honra e glória o coroastes; destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos, tudo submetestes a seus pés» (Sl 8, 4-7).

Perante a sublime realidade da natureza humana, podemos experimentar a mesma admiração expressa pelo salmista. Esta manifesta-se como abertura ao Mistério, como capacidade de interrogar-se profundamente sobre si mesmo e sobre a origem do universo, como íntima ressonância do Amor supremo de Deus, princípio e fim de todas as coisas, de cada pessoa e dos povos.[4] A dignidade transcendente da pessoa é um valor essencial da sabedoria judaico-cristã, mas, graças à razão, pode ser reconhecida por todos. Esta dignidade, entendida como capacidade de transcender a própria materialidade e buscar a verdade, há-de ser reconhecida como um bem universal, indispensável na construção duma sociedade orientada para a realização e a plenitude do homem. O respeito de elementos essenciais da dignidade do homem, tais como o direito à vida e o direito à liberdade religiosa, é uma condição da legitimidade moral de toda a norma social e jurídica.

Liberdade religiosa e respeito recíproco

3. A liberdade religiosa está na origem da liberdade moral. Com efeito, a abertura à verdade e ao bem, a abertura a Deus, radicada na natureza humana, confere plena dignidade a cada um dos seres humanos e é garante do respeito pleno e recíproco entre as pessoas. Por conseguinte, a liberdade religiosa deve ser entendida não só como imunidade da coacção mas também, e antes ainda, como capacidade de organizar as próprias opções segundo a verdade.

Existe uma ligação indivisível entre liberdade e respeito; de facto, «cada homem e cada grupo social estão moralmente obrigados, no exercício dos próprios direitos, a ter em conta os direitos alheios e os seus próprios deveres para com os outros e o bem comum».[5]

Uma liberdade hostil ou indiferente a Deus acaba por se negar a si mesma e não garante o pleno respeito do outro. Uma vontade, que se crê radicalmente incapaz de procurar a verdade e o bem, não tem outras razões objectivas nem outros motivos para agir senão os impostos pelos seus interesses momentâneos e contingentes, não tem uma «identidade» a preservar e construir através de opções verdadeiramente livres e conscientes. Mas assim não pode reclamar o respeito por parte de outras «vontades», também estas desligadas do próprio ser mais profundo e capazes, por conseguinte, de fazer valer outras «razões» ou mesmo nenhuma «razão». A ilusão de encontrar no relativismo moral a chave para uma pacífica convivência é, na realidade, a origem da divisão e da negação da dignidade dos seres humanos. Por isso se compreende a necessidade de reconhecer uma dupla dimensão na unidade da pessoa humana: a religiosa e a social. A este respeito, é inconcebível que os crentes «tenham de suprimir uma parte de si mesmos – a sua fé – para serem cidadãos activos; nunca deveria ser necessário renegar a Deus, para se poder gozar dos próprios direitos».[6]

A família, escola de liberdade e de paz

4. Se a liberdade religiosa é caminho para a paz, a educação religiosa é estrada privilegiada para habilitar as novas gerações a reconhecerem no outro o seu próprio irmão e a sua própria irmã, com quem caminhar juntos e colaborar para que todos se sintam membros vivos de uma mesma família humana, da qual ninguém deve ser excluído.

A família fundada sobre o matrimónio, expressão de união íntima e de complementaridade entre um homem e uma mulher, insere-se neste contexto como a primeira escola de formação e de crescimento social, cultural, moral e espiritual dos filhos, que deveriam encontrar sempre no pai e na mãe as primeiras testemunhas de uma vida orientada para a busca da verdade e para o amor de Deus. Os próprios pais deveriam ser sempre livres para transmitir, sem constrições e responsavelmente, o próprio património de fé, de valores e de cultura aos filhos. A família, primeira célula da sociedade humana, permanece o âmbito primário de formação para relações harmoniosas a todos os níveis de convivência humana, nacional e internacional. Esta é a estrada que se há-de sapientemente percorrer para a construção de um tecido social robusto e solidário, para preparar os jovens à assunção das próprias responsabilidades na vida, numa sociedade livre, num espírito de compreensão e de paz.

Um património comum

5. Poder-se-ia dizer que, entre os direitos e as liberdades fundamentais radicados na dignidade da pessoa, a liberdade religiosa goza de um estatuto especial. Quando se reconhece a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana é respeitada na sua raiz e reforça-se a índole e as instituições dos povos. Pelo contrário, quando a liberdade religiosa é negada, quando se tenta impedir de professar a própria religião ou a própria fé e de viver de acordo com elas, ofende-se a dignidade humana e, simultaneamente, acabam ameaçadas a justiça e a paz, que se apoiam sobre a recta ordem social construída à luz da Suma Verdade e do Sumo Bem.

Neste sentido, a liberdade religiosa é também uma aquisição de civilização política e jurídica. Trata-se de um bem essencial: toda a pessoa deve poder exercer livremente o direito de professar e manifestar, individual ou comunitariamente, a própria religião ou a própria fé, tanto em público como privadamente, no ensino, nos costumes, nas publicações, no culto e na observância dos ritos. Não deveria encontrar obstáculos, se quisesse eventualmente aderir a outra religião ou não professar religião alguma. Neste âmbito, revela-se emblemático e é uma referência essencial para os Estados o ordenamento internacional, enquanto não consente alguma derrogação da liberdade religiosa, salvo a legítima exigência da justa ordem pública.[7] Deste modo, o ordenamento internacional reconhece aos direitos de natureza religiosa o mesmo status do direito à vida e à liberdade pessoal, comprovando a sua pertença ao núcleo essencial dos direitos do homem, àqueles direitos universais e naturais que a lei humana não pode jamais negar.

A liberdade religiosa não é património exclusivo dos crentes, mas da família inteira dos povos da terra. É elemento imprescindível de um Estado de direito; não pode ser negada, sem ao mesmo tempo minar todos os direitos e as liberdades fundamentais, pois é a sua síntese e ápice. É «o papel de tornassol para verificar o respeito de todos os outros direitos humanos».[8] Ao mesmo tempo que favorece o exercício das faculdades humanas mais específicas, cria as premissas necessárias para a realização de um desenvolvimento integral, que diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em cada uma das suas dimensões.[9]

A dimensão pública da religião

6. Embora movendo-se a partir da esfera pessoal, a liberdade religiosa – como qualquer outra liberdade – realiza-se na relação com os outros. Uma liberdade sem relação não é liberdade perfeita. Também a liberdade religiosa não se esgota na dimensão individual, mas realiza-se na própria comunidade e na sociedade, coerentemente com o ser relacional da pessoa e com a natureza pública da religião.

O relacionamento é uma componente decisiva da liberdade religiosa, que impele as comunidades dos crentes a praticarem a solidariedade em prol do bem comum. Cada pessoa permanece única e irrepetível e, ao mesmo tempo, completa-se e realiza-se plenamente nesta dimensão comunitária.

Inegável é a contribuição que as religiões prestam à sociedade. São numerosas as instituições caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social. Ainda mais importante é a contribuição ética da religião no âmbito político. Tal contribuição não deveria ser marginalizada ou proibida, mas vista como válida ajuda para a promoção do bem comum. Nesta perspectiva, é preciso mencionar a dimensão religiosa da cultura, tecida através dos séculos graças às contribuições sociais e sobretudo éticas da religião. Tal dimensão não constitui de modo algum uma discriminação daqueles que não partilham a sua crença, mas antes reforça a coesão social, a integração e a solidariedade.

Liberdade religiosa, força de liberdade e de civilização:
os perigos da sua instrumentalização

7. A instrumentalização da liberdade religiosa para mascarar interesses ocultos, como por exemplo a subversão da ordem constituída, a apropriação de recursos ou a manutenção do poder por parte de um grupo, pode provocar danos enormes às sociedades. O fanatismo, o fundamentalismo, as práticas contrárias à dignidade humana não se podem jamais justificar, e menos ainda o podem ser se realizadas em nome da religião. A profissão de uma religião não pode ser instrumentalizada, nem imposta pela força. Por isso, é necessário que os Estados e as várias comunidades humanas nunca se esqueçam que a liberdade religiosa é condição para a busca da verdade e que a verdade não se impõe pela violência mas pela «força da própria verdade».[10] Neste sentido, a religião é uma força positiva e propulsora na construção da sociedade civil e política.

Como se pode negar a contribuição das grandes religiões do mundo para o desenvolvimento da civilização? A busca sincera de Deus levou a um respeito maior da dignidade do homem. As comunidades cristãs, com o seu património de valores e princípios, contribuíram imenso para a tomada de consciência das pessoas e dos povos a respeito da sua própria identidade e dignidade, bem como para a conquista de instituições democráticas e para a afirmação dos direitos do homem e seus correlativos deveres.

Também hoje, numa sociedade cada vez mais globalizada, os cristãos são chamados – não só através de um responsável empenhamento civil, económico e político, mas também com o testemunho da própria caridade e fé – a oferecer a sua preciosa contribuição para o árduo e exaltante compromisso em prol da justiça, do desenvolvimento humano integral e do recto ordenamento das realidades humanas. A exclusão da religião da vida pública subtrai a esta um espaço vital que abre para a transcendência. Sem esta experiência primária, revela-se uma tarefa árdua orientar as sociedades para princípios éticos universais e torna-se difícil estabelecer ordenamentos nacionais e internacionais nos quais os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e realizados, como se propõem os objectivos – infelizmente ainda menosprezados ou contestados – da Declaração Universal dos direitos do homem de 1948.

Uma questão de justiça e de civilização:
o fundamentalismo e a hostilidade contra os crentes prejudicam
a laicidade positiva dos Estados

8. A mesma determinação, com que são condenadas todas as formas de fanatismo e de fundamentalismo religioso, deve animar também a oposição a todas as formas de hostilidade contra a religião, que limitam o papel público dos crentes na vida civil e política.

Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas de rejeição do legítimo pluralismo e do princípio de laicidade. De facto, ambas absolutizam uma visão redutiva e parcial da pessoa humana, favorecendo formas, no primeiro caso, de integralismo religioso e, no segundo, de racionalismo. A sociedade, que quer impor ou, ao contrário, negar a religião por meio da violência, é injusta para com a pessoa e para com Deus, mas também para consigo mesma. Deus chama a Si a humanidade através de um desígnio de amor, o qual, ao mesmo tempo que implica a pessoa inteira na sua dimensão natural e espiritual, exige que lhe corresponda em termos de liberdade e de responsabilidade, com todo o coração e com todo o próprio ser, individual e comunitário. Sendo assim, também a sociedade, enquanto expressão da pessoa e do conjunto das suas dimensões constitutivas, deve viver e organizar-se de modo a favorecer a sua abertura à transcendência. Por isso mesmo, as leis e as instituições duma sociedade não podem ser configuradas ignorando a dimensão religiosa dos cidadãos ou de modo que prescindam completamente da mesma; mas devem ser comensuradas – através da obra democrática de cidadãos conscientes da sua alta vocação – ao ser da pessoa, para o poderem favorecer na sua dimensão religiosa. Não sendo esta uma criação do Estado, não pode ser manipulada, antes deve contar com o seu reconhecimento e respeito.

O ordenamento jurídico a todos os níveis, nacional e internacional, quando consente ou tolera o fanatismo religioso ou anti-religioso, falta à sua própria missão, que consiste em tutelar e promover a justiça e o direito de cada um. Tais realidades não podem ser deixadas à mercê do arbítrio do legislador ou da maioria, porque, como já ensinava Cícero, a justiça consiste em algo mais do que um mero acto produtivo da lei e da sua aplicação. A justiça implica reconhecer a cada um a sua dignidade,[11] a qual, sem liberdade religiosa garantida e vivida na sua essência, fica mutilada e ofendida, exposta ao risco de cair sob o predomínio dos ídolos, de bens relativos transformados em absolutos. Tudo isto expõe a sociedade ao risco de totalitarismos políticos e ideológicos, que enfatizam o poder público, ao mesmo tempo que são mortificadas e coarctadas, como se lhe fizessem concorrência, as liberdades de consciência, de pensamento e de religião.

Diálogo entre instituições civis e religiosas

9. O património de princípios e valores expressos por uma religiosidade autêntica é uma riqueza para os povos e respectivas índoles: fala directamente à consciência e à razão dos homens e mulheres, lembra o imperativo da conversão moral, motiva para aperfeiçoar a prática das virtudes e aproximar-se amistosamente um do outro sob o signo da fraternidade, como membros da grande família humana.[12]

No respeito da laicidade positiva das instituições estatais, a dimensão pública da religião deve ser sempre reconhecida. Para isso, um diálogo sadio entre as instituições civis e as religiosas é fundamental para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da harmonia da sociedade.

Viver no amor e na verdade

10. No mundo globalizado, caracterizado por sociedades sempre mais multiétnicas e pluriconfessionais, as grandes religiões podem constituir um factor importante de unidade e paz para a família humana. Com base nas suas próprias convicções religiosas e na busca racional do bem comum, os seus membros são chamados a viver responsavelmente o próprio compromisso num contexto de liberdade religiosa. Nas variadas culturas religiosas, enquanto há que rejeitar tudo aquilo que é contra a dignidade do homem e da mulher, é preciso, ao contrário, valer-se daquilo que resulta positivo para a convivência civil.

O espaço público, que a comunidade internacional torna disponível para as religiões e para a sua proposta de «vida boa», favorece o aparecimento de uma medida compartilhável de verdade e de bem e ainda de um consenso moral, que são fundamentais para uma convivência justa e pacífica. Os líderes das grandes religiões, pela sua função, influência e autoridade nas respectivas comunidades, são os primeiros a ser chamados ao respeito recíproco e ao diálogo.

Os cristãos, por sua vez, são solicitados pela sua própria fé em Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, a viver como irmãos que se encontram na Igreja e colaboram para a edificação de um mundo, onde as pessoas e os povos «não mais praticarão o mal nem a destruição (...), porque o conhecimento do Senhor encherá a terra, como as águas enchem o leito do mar» (Is 11, 9).

Diálogo como busca em comum

11. Para a Igreja, o diálogo entre os membros de diversas religiões constitui um instrumento importante para colaborar com todas as comunidades religiosas para o bem comum. A própria Igreja nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. «Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens».[13]

A estrada indicada não é a do relativismo nem do sincretismo religioso. De facto, a Igreja «anuncia, e tem mesmo a obrigação de anunciar incessantemente Cristo, “caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas».[14] Todavia isto não exclui o diálogo e a busca comum da verdade em diversos âmbitos vitais, porque, como diz uma expressão usada frequentemente por São Tomás de Aquino, «toda a verdade, independentemente de quem a diga, provém do Espírito Santo».[15]

Em 2011, tem lugar o 25º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz, que o Venerável Papa João Paulo II convocou em Assis em 1986. Naquela ocasião, os líderes das grandes religiões do mundo deram testemunho da religião como sendo um factor de união e paz, e não de divisão e conflito. A recordação daquela experiência é motivo de esperança para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justiça e de paz.

Verdade moral na política e na diplomacia

12. A política e a diplomacia deveriam olhar para o património moral e espiritual oferecido pelas grandes religiões do mundo, para reconhecer e afirmar verdades, princípios e valores universais que não podem ser negados sem, com os mesmos, negar-se a dignidade da pessoa humana. Mas, em termos práticos, que significa promover a verdade moral no mundo da política e da diplomacia? Quer dizer agir de maneira responsável com base no conhecimento objectivo e integral dos factos; quer dizer desmantelar ideologias políticas que acabam por suplantar a verdade e a dignidade humana e pretendem promover pseudo-valores com o pretexto da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos; quer dizer favorecer um empenho constante de fundar a lei positiva sobre os princípios da lei natural.[16] Tudo isto é necessário e coerente com o respeito da dignidade e do valor da pessoa humana, sancionado pelos povos da terra na Carta da Organização das Nações Unidas de 1945, que apresenta valores e princípios morais universais de referência para as normas, as instituições, os sistemas de convivência a nível nacional e internacional.

Para além do ódio e do preconceito

13. Não obstante os ensinamentos da história e o compromisso dos Estados, das organizações internacionais a nível mundial e local, das organizações não governamentais e de todos os homens e mulheres de boa vontade que cada dia se empenham pela tutela dos direitos e das liberdades fundamentais, ainda hoje no mundo se registam perseguições, descriminações, actos de violência e de intolerância baseados na religião. De modo particular na Ásia e na África, as principais vítimas são os membros das minorias religiosas, a quem é impedido de professar livremente a própria religião ou mudar para outra, através da intimidação e da violação dos direitos, das liberdades fundamentais e dos bens essenciais, chegando até à privação da liberdade pessoal ou da própria vida.

Temos depois, como já disse, formas mais sofisticadas de hostilidade contra a religião, que nos países ocidentais se exprimem por vezes com a renegação da própria história e dos símbolos religiosos nos quais se reflectem a identidade e a cultura da maioria dos cidadãos. Frequentemente tais formas fomentam o ódio e o preconceito e não são coerentes com uma visão serena e equilibrada do pluralismo e da laicidade das instituições, sem contar que as novas gerações correm o risco de não entrar em contacto com o precioso património espiritual dos seus países.

A defesa da religião passa pela defesa dos direitos e liberdades das comunidades religiosas. Assim, os líderes das grandes religiões do mundo e os responsáveis das nações renovem o compromisso pela promoção e a tutela da liberdade religiosa, em particular pela defesa das minorias religiosas; estas não constituem uma ameaça contra a identidade da maioria, antes, pelo contrário, são uma oportunidade para o diálogo e o mútuo enriquecimento cultural. A sua defesa representa a maneira ideal para consolidar o espírito de benevolência, abertura e reciprocidade com que se há-de tutelar os direitos e as liberdades fundamentais em todas as áreas e regiões do mundo.

Liberdade religiosa no mundo

14. Dirijo-me, por fim, às comunidades cristãs que sofrem perseguições, discriminações, actos de violência e intolerância, particularmente na Ásia, na África, no Médio Oriente e de modo especial na Terra Santa, lugar escolhido e abençoado por Deus. Ao mesmo tempo que lhes renovo a expressão do meu afecto paterno e asseguro a minha oração, peço a todos os responsáveis que intervenham prontamente para pôr fim a toda a violência contra os cristãos que habitam naquelas regiões. Que os discípulos de Cristo não desanimem com as presentes adversidades, porque o testemunho do Evangelho é e será sempre sinal de contradição.

Meditemos no nosso coração as palavras do Senhor Jesus: «Felizes os que choram, porque hão-se ser consolados. (...) Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. (...) Felizes sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentido, vos acusarem de toda a espécie de mal. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos Céus a vossa recompensa» (Mt 5, 4-12). Por isso, renovemos «o compromisso por nós assumido no sentido da indulgência e do perdão – que invocamos de Deus para nós, no “Pai-nosso” – por havermos posto, nós próprios, a condição e a medida da desejada misericórdia: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”(Mt 6, 12)».[17] A violência não se vence com a violência. O nosso grito de dor seja sempre acompanhado pela fé, pela esperança e pelo testemunho do amor de Deus. Faço votos também de que cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo facto de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente com os valores e os princípios expressos no Evangelho. Mais ainda, que a Europa saiba reconciliar-se com as próprias raízes cristãs, que são fundamentais para compreender o papel que teve, tem e pretende ter na história; saberá assim experimentar justiça, concórdia e paz, cultivando um diálogo sincero com todos os povos.

Liberdade religiosa, caminho para a paz

15. O mundo tem necessidade de Deus; tem necessidade de valores éticos e espirituais, universais e compartilhados, e a religião pode oferecer uma contribuição preciosa na sua busca, para a construção de uma ordem social justa e pacífica a nível nacional e internacional.

A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projecto a realizar, nunca totalmente cumprido. Uma sociedade reconciliada com Deus está mais perto da paz, que não é simples ausência de guerra, nem mero fruto do predomínio militar ou económico, e menos ainda de astúcias enganadoras ou de hábeis manipulações. Pelo contrário, a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada. Convido todos aqueles que desejam tornar-se obreiros de paz e sobretudo os jovens a prestarem ouvidos à própria voz interior, para encontrar em Deus a referência estável para a conquista de uma liberdade autêntica, a força inesgotável para orientar o mundo com um espírito novo, capaz de não repetir os erros do passado. Como ensina o Servo de Deus Papa Paulo VI, a cuja sabedoria e clarividência se deve a instituição do Dia Mundial da Paz, «é preciso, antes de mais nada, proporcionar à Paz outras armas, que não aquelas que se destinam a matar e a exterminar a humanidade. São necessárias sobretudo as armas morais, que dão força e prestígio ao direito internacional; aquela arma, em primeiro lugar, da observância dos pactos».[18] A liberdade religiosa é uma autêntica arma da paz, com uma missão histórica e profética. De facto, ela valoriza e faz frutificar as qualidades e potencialidades mais profundas da pessoa humana, capazes de mudar e tornar melhor o mundo; consente alimentar a esperança num futuro de justiça e de paz, mesmo diante das graves injustiças e das misérias materiais e morais. Que todos os homens e as sociedades aos diversos níveis e nos vários ângulos da terra possam brevemente experimentar a liberdade religiosa, caminho para a paz!

Vaticano, 8 de Dezembro de 2010.

BENEDICTUS PP XVI

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

2.º Encontro Inicial

Aproxima-se a passos largos o 2.º Encontro Inicial do Movimento Encontros de Jovens Shalom em Castelo Branco. Após uma caminhada, de aproximadamente, um ano e meio os jovens da paróquia de Nossa Senhora de Fátima vão assumir o seu compromisso como cristão comprometidos com a realidade, com a Igreja, e com a sua paróquia. Este encontro, que terá lugar nos dias 5, 6 e 7 de Fevereiro, marca a entrada "oficial" no Movimento Shalom. Serão três dias de descoberta e partilha.
A Eucaristia de encerramento terá lugar na Igreja de Nossa Senhora de Fátima no domingo, dia 7, pelas 18h.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

2.º Encontro de Equipas Coordenadoras

"Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu."

(Mt26, 14-15)

Shalom amigos!

Encontramo-nos a meio do nosso ano pastoral e a nossa diocese continua em Movimento mas, neste momento é tempo de pararmos para reflectirmos e avaliarmos o nosso trabalho deste primeiro semestre. Os Secretariados Paroquiais, através das EPA’s assumem um papel fulcral na missão de ir ao encontro dos jovens nas diversas realidades. É tempo então de avaliar, olhar para tudo o que de bom e mau aconteceu neste primeiro semestre, e com base nessa avaliação delinearmos o semestre que se avizinha.

Nos dias 30 e 31 de Janeiro irá decorrer, na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Castelo Branco, o 2º Encontro de Equipas Coordenadoras dos SP’s da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, onde contamos com a presença de todos os elementos das equipas coordenadoras. O encontro terá início no sábado às 10h, sendo o almoço partilhado, e terminará pelas 22h. O encontro terminará domingo às 14h30 com Eucaristia. As refeições estarão a cargo de uma equipa de serviço havendo no final do encontro partilha de despesas.

A ordem de trabalhos será a seguinte:

- Avaliação do 1.º semestre (Tragam as avaliações dos vossos SP’s e EPA’s);

- Marcação de actividades para o 2º semestre (Vejam em SP qual a melhor data para realização do curso do 2.º semestre);

- Economia da Diocese;

Material necessário para o Encontro:

- Recibos de despesas efectuadas no S.P;

- Declaração Bolsa do Seminarista e Declaração de Contribuição à Comunidade Shalom;

- Calendarização de actividades do S.P e das EPA’s para o 2.º semestre;

- Calendário 2009/2010 entregue na 1.ª Reunião de Equipas Coordenadoras ;

- Livro de Cânticos, instrumentos musicais;

- Papel e caneta;

Agradecemos que confirmem a vossa presença até dia 23 de Janeiro (Sábado), junto de qualquer elemento da Equipa Coordenadora Diocesana.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Homilia do Dia Mundial da Paz

O Bispo diocesano, D. Antonino Dias, presidiu, em S. Miguel da Sé, Castelo Branco, à Celebração Eucarística do Dia Mundial da Paz

A Liturgia celebra, no primeiro dia do ano civil, a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. Com esta celebração, a Igreja pretende colocar o novo ano, com todas as preocupações e cuidados, problemas e interrogações que ele encerra, sob a protecção maternal de Maria e quer também lembrar a importância da missão que Ela desempenha na História da Salvação, como Mãe do Salvador. A Maternidade de Maria, conforme lemos na Constituição Dogmática Lumen Gentium, “perdura na economia da graça sem interrupção, desde o consentimento que fielmente deu na Anunciação e que manteve inabalável junto da cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos. De facto, depois de elevada ao Céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” (LG 62). É, sem dúvida, na Maternidade divina que se encontra o fundamento da especial relação de Maria com Cristo e da sua presença na economia da salvação. “Efectivamente, a Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de Seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho.” Saudámo-la como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade. A Igreja católica, ensinada pelo Espírito Santo, consagra-lhe, como a mãe amantíssima, filial afecto de piedade (cf. LG 53).
E Maria não frustra as expectativas do homem contemporâneo. Pela sua condição de “discípula perfeita de Cristo” e de mulher que se realizou perfeitamente como pessoa, ela é uma fonte perene de fecundas inspirações de vida, e oferece aos homens a vitória da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão, da paz sobre a perturbação, da alegria sobre o tédio e da vida sobre a morte” (MC 57).
Mais: Jean Guiton escreveu que “a explicação teológica de Maria será um factor de união da Igreja do século XXI” e que “não será possível realizar nenhuma unidade sem ela” porque ela “é a pedra angular, graças à qual se encontram reunidas todas as aspirações da humanidade”. É verdade que “o nosso Mediador é só um…Jesus Cristo: Mas a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes manifesta a sua eficácia” (LG 60).
Caros fiéis
Estamos ainda a celebrar o nascimento de Jesus Cristo que foi anunciado pelos profetas como o Príncipe da Paz. “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”. No entanto, esta paz que Cristo nos veio trazer e nos deu não existe no interior de muitas pessoas. Não existe no seio de muitas famílias nem no seio da sociedade. A Igreja, desde há quarenta e três anos a esta parte, preocupada com a falta de paz, celebra, no primeiro dia do ano, o Dia Mundial da Paz para nos dizer que só Cristo é a Paz e que n’Ele todos somos irmãos.
Assim, o Santo Padre Bento XVI escolheu para este Dia: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. Colocando a criação como “o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus” ele afirma que “a sua salvaguarda se torna hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade”. Na verdade, se já são muitos os “perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral, devido à desumanidade do homem para com o seu semelhante … não são menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se não mesmo do abuso, em relação à terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu.” E acrescenta: embora “entre as causas da actual crise ecológica” esteja a “responsabilidade histórica dos países industrializados”, também os países menos desenvolvidos e emergentes devem assumir as suas “próprias responsabilidades” porque o “dever de adoptar gradualmente medidas e políticas ambientais eficazes pertence a todos”.
O Santo Padre alerta ainda para um conjunto de “problemáticas que derivam de fenómenos como as alterações climatéricas, a desertificação, a deterioração e a perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, a desflorestação das áreas equatoriais e tropicais”. Isto provoca “o fenómeno crescente dos chamados «prófugos ambientais»” que por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigados a abandoná-lo com prejuízo do acesso aos recursos naturais e vendo-se na urgência de “enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada”. Estas situações, refere, “têm um impacto profundo no exercício dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito à vida, à alimentação, à saúde, ao desenvolvimento”.
Perante a necessidade de fomentar uma verdadeira consciência ecológica, já o Santo Padre João Paulo II falava da necessidade de salvaguardar as condições morais de uma autêntica ecologia humana, social e cultural, com respostas novas capazes de inventar novos relacionamentos com a natureza, novos estilos e cultura de vida.
“O ser humano, denuncia Bento XVI, deixou-se dominar pelo egoísmo (…). No relacionamento com a criação, comportou-se como explorador pretendendo exercer um domínio absoluto sobre ela (…). E quando o homem, em vez de desempenhar a sua função de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebelião da natureza”.
É evidente que toda esta problemática reclama que se tomem medidas urgentes. Como sabemos, a Cimeira de Copenhaga sobre o clima não permitiu que os governantes do mundo se entendessem sobre as verdadeiras medidas a tomar. No entanto, compete à “comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo”. Torna-se, pois, necessário agir: por um lado, “no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jurídico e económico e, por outro, tendo em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regiões mais pobres da terra e às gerações futuras”.
Citando Paulo VI, Bento XVI acentua a necessidade de uma leal solidariedade entre as gerações. “Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever”. Mas não basta. Para além duma leal solidariedade entre as gerações, a Mensagem Papal fala também da necessidade de “reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração”. E faz votos para que se adopte “um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promoção e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consciência da necessidade de mudar os estilos de vida e na prudência, virtude que indica as acções que se devem realizar hoje na previsão do que poderá suceder amanhã”.
A «nova solidariedade» que João Paulo II propôs e a «solidariedade global» de que Bento XVI fala tornam presente a “forte relação que existe entre a luta contra a degradação ambiental e a promoção do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma dinâmica imprescindível, já que «o desenvolvimento integral do homem não pode realizar-se sem o desenvolvimento solidário da humanidade».
Em seguida, Bento XVI, refere-se às muitas “oportunidades científicas” e aos “potenciais percursos inovadores, mediante os quais é possível fornecer soluções satisfatórias e respeitadoras da relação entre o homem e o ambiente”, como sejam, “encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar”; prestar igual atenção à questão “da água e ao sistema hidrogeológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas. De igual modo se deve procurar apropriadas estratégias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas famílias, sendo necessário também elaborar políticas idóneas para a gestão das florestas, o tratamento do lixo, a valorização das sinergias existentes no contraste às alterações climáticas e na luta contra a pobreza. (…) Enfim, é necessário sair da lógica de mero consumo para promover formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e satisfaçam as necessidades primárias de todos”.
Em conclusão: o Papa defende que “proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa”; e que no combate à actual crise ecológica há “uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos”.
Fomentemos também nós a paz preservando a criação.
Amemos, respeitemos e contemplemos a natureza, verdadeiro livro aberto que nos fala do poder e da beleza de Deus e da grandeza do Seu amor por nós, homens e mulheres de todos os tempos.
Feliz Ano para todos!

+Antonino Dias
Bispo de Portalegre-Castelo Branco

domingo, 27 de dezembro de 2009

Dia de S. João Evangelista

O Movimento Encontros de Jovens Shalom tem como patrono S. João Evangelista sendo hoje, 27 de Dezembro, o seu dia. É o nosso patrono por ter sido o Apóstolo mais jovem, foi rebelde e interventivo como os jovens, e porque sempre acompanhou Cristo não o abandonado nem na hora da sua morte.
Como é habitual, todos os anos, os padres da Comunidade Shalom (Padres que estão ao serviço do Movimento Encontros de Jovens Shalom) fazem a renovação dos seus votos como sacerdotes ao serviço do Shalom. A celebração terá lugar na Casa da Comunidade Shalom, em Santo Amaro de Oeiras às 21h30.

Um pouco mais sobre S. João Evangelista...
S. João Evangelista foi o Apóstolo mais novo de Jesus. Era pescador de profissão e trabalhava com o seu irmão Tiago. Foi manifesta nos livros da Bíblia a admiração de João por Jesus. Jesus chamou-lhe o Filho do Trovão e posteriormente ele foi considerado o “Discípulo Amado”.Segundo os registos do Novo Testamento, João foi o apóstolo que seguiu com Jesus, na noite em que foi preso e foi corajoso ao ponto de acompanhar o seu Mestre até à morte na cruz. A História conta que João esteve presente, e ao alcance de Jesus, até a última hora , e foi-lhe entregue a missão de tomar conta de Maria, a mãe de Jesus.
Depois da morte e martírio de Tiago, o Justo (também conhecido como Irmão do Senhor), João teria se dirigido à Ásia Menor, onde dirigiu a importante e influente comunidade cristã de Éfeso, fundada por Paulo anos antes. João esteve várias vezes na prisão, foi torturado e exilado para a Ilha de Patmos, por um período de cerca de quatro anos, onde teria escrito o Apocalipse.
Faleceu em Éfeso no ano 103 d.C.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um Santo Natal

Advento - Construindo o Presépio Semana 4

Semana 4

Cântico:
de Natal, à escolha

Monição: Vamos contemplar o terceiro grupo de personagens. São intervenientes directos na encarnação do Filho de Deus. Se aos pastores e aos Magos é anunciado pelos Anjos ou pela estrela o nascimento do Menino, a estes é pedido algo: o seu consentimento. Sem o SIM de Maria e José a Salvação não se teria realizado naquele momento da História.
Há duas atitudes que interpelam nesta narração:
 por um lado Deus, o Senhor do Universo, precisar do consentimento de dois pobres mortais;
 por outro, a capacidade de Maria e José se desprenderem dos seus sonhos e projectos pessoais, para se colocarem inteiramente disponíveis para o projecto de Deus.
(Colocam-se as imagens de Maria e José no presépio)
Leitura: Lc.2, 1-7
Comentário: Maria e José sobem a Belém. São cerca de 120 km. Não é fácil para uma mulher grávida, no fim do tempo, fazer aquele percurso: os transportes daquele tempo eram o jumento e pouco mais. As suas posses também não dariam para muito... Eram jovens, determinados, sonhadores e, certamente, não lhes faltaria apoio pelo caminho. Talvez se juntassem a alguma caravana das muitas que nessa época cruzavam as terras de Israel em função do Edito de César...
Talvez não contassem é que... na terra de origem, as portas se fechassem para eles. A situação não era fácil: hospedar uma mulher no fim do tempo de gravidez era, no mínimo, arranjar uma carga de trabalhos... Depois... havia sempre uma desculpa: “Que pena, tenho a casa tão cheia... Sabem, com esta coisa do recenseamento...”
Não é o terem que se refugiar numa gruta que incomoda: naquela região havia muitas grutas que serviam de caves para as casas ou de abrigo para homens e animais. Nas casas e nas grutas pessoas e animais partilhavam os mesmos espaços... O que incomoda é a última frase da narrativa de Lucas: “...não havia lugar para eles na hospedaria”!
Eram galileus: gente pobre, desprezada, marginalizada... de pouca confiança... e, para mais, grávida!...
Parece que a história se repete hoje, quando se muda de passeio porque se vislumbra alguém de cor ou condição diferente... quando não queremos ser incomodados, quando ficamos aborrecidos porque nos pedem isto ou aquilo, esta ou aquela ajuda... quando, simplesmente, não queremos sair do conforto do nosso sofá... quando não queremos abrir os olhos para perceber a dor, a miséria, a situação de tantos irmãos nossos, muitos deles emigrantes, „que deviam era ser recambiados para as suas terras porque nem falam a nossa língua e até vêm roubar os nossos empregos...‟
Maria e José sofrem em silêncio o desprezo, a marginalização, as desculpas esfarrapadas de quem lhes fecha a porta...
Incomoda por demais toda esta situação, mas incomoda ainda mais o silêncio gritante que brota daqueles corações!...
Na gruta aquecida pelo bafo dos animais, Maria e José preparam um canto onde o seu filhinho possa nascer.
Pensemos um pouco na nossa vida: como aceitamos e nos relacionamos com as pessoas que não conhecemos, ou nos batem à porta, ou nos estendem mãos ansiosas de justiça, de conforto, talvez de uma palavra amiga... “Eu tive fome e tu deste-me de comer, estava doente ou na prisão e visitaste-me, estava nu e vestiste-me...” era um sem-abrigo, e tu cuidaste de mim... “Quando fizeste isto ao mais pequeno dos meus, foi a mim que o fizeste!”
Silêncio:
Vamos contemplar as figuras de Maria e José… vamos pensar naquelas pessoas com quem nos cruzámos hoje e que, talvez devido à rotina, nem percebemos…
Amanhã, possivelmente, vou cruzar-me com elas de novo… que atitude devo tomar?... O que vou fazer?
Silêncio…
Cantar o refrão:
Onde reina o amor
Fraterno amor
Onde reina o amor
Deus aí está!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal 2009 do Bispo de Portalegre-Castelo Branco


"O Verbo fez-se Carne e habitou entre nós".

Deus fez-se homem em Jesus Cristo. Nasceu da Virgem Maria e renasce na Igreja.
E tudo isto para nos salvar, nos revelar o Seu Amor, nos ensinar a amar e nos convidar a sermos sal e luz na construção de um mundo melhor. Conhecer e anunciar a Sua pessoa e a Sua Palavra, com o testemunho de verdadeiro discípulo, é a maneira mais sublime e eficaz de amar e servir a Humanidade, cada Família e cada Pessoa: só Jesus transforma em novo e novidade aquilo que o homem em si mesmo deixa envelhecer e destrói.
Reconhecer, amar e respeitar-se a si e aos outros como Jesus fez e ensinou continua a ser provocação e desafio que brota do silêncio divino e humano do Presépio numa estreita relação entre a simplicidade e a glória. Entre a riqueza divina partilhada com amor e a pobreza humana minimizada por tão extraordinário gesto de entrega gratuidade.
Celebrar o Natal de Jesus não é reduzi-lo a uma mera festa profana, dispendiosa e humilhante para o pobres, sofredores e excluídos. Celebrar o Natal é fazer ecoar por toda a terra a mensagem de Esperança que cada pessoa precisa de ouvir. É pedir aos líderes da sociedade que escancarem as portas do coração a Cristo Salvador, o Filho de Deus, se reencontrem n'Ele para servirem como Ele e Lhe peçam o dom da Sabedoria para bem orientar o destino dos povos que neles confiaram e estes possam viver com alegria e dignidade. É fazer com que o Reino de Amor e de Paz que Cristo tornou próximo se torne herança de todos. É fazer que cada pessoa se sinta reconhecida, amada e respeitada na sua dignidade e viva em recíproco sentimento e atitude.
Neste ano dedicado ao Sacerdócio Ministerial, e estando a nossa diocese tão carente de Presbíteros, que os nossos jovens, olhando o presépio em jeito de São João Maria Vianney - o Cura d'Ars - sintam o apelo de Jesus Menino a dizer-lhes que a "messe é grande mas os operários são poucos...". E numa atitude confiança, coragem e ousadia lhe abram o coração com generosidade e amor e decidam colocar a vida ao serviço do Seu povo.
Feliz Natal para todos!


Diocese de Portalegre-Castelo Branco, 15 de Dezembro de 2009

+Antonio Dias, Bispo Diocesano

domingo, 13 de dezembro de 2009

Advento - Construíndo o Presépio - Semana 3

Semana 3

Introdução:
Vamos agora lançar o nosso olhar mais longe, bem lá no horizonte. Uma caravana simbolizada (segundo a tradição) por três homens de raças diferentes, atravessa o deserto, guiada por uma estrela, em busca dum recém-nascido. Estranha, misteriosa, esta aventura: Vamos deixar-nos envolver por ela. Vamos, nós próprios, integrar essa comitiva para captarmos as motivações destas pessoas tão diferentes, mas com um mesmo objectivo.
Enquanto se proclama a leitura, colocam-se sobre o presépio as imagens dos Magos.

Leitura: Mt. 2,1-12
Comentador:
Quem são os magos?
O povo de Israel sempre se viu como o povo escolhido por Deus. Os profetas foram alimentando a esperança de que um dia Deus se faria presente num filho daquele povo e este filho os libertaria de todos os males e opressões… mas nunca lhes passou pela cabeça que Deus pudesse ultrapassar as fronteiras de Israel… que os outros povos pudessem ser salvos também...
Os magos eram pessoas que queriam ver essa salvação. No Oriente uma luz nova chamou a sua atenção e imediatamente se puseram a caminho…
A tradição encarregou-se de dizer que eram três, estes magos: três homens de raças diferentes, representando toda a Humanidade, como que a dizer que quando a estrela se levanta, ninguém fica fora da sua luz... Desde que Deus resolveu morar no nosso meio, ninguém fica excluído da sua luz. Mesmo aqueles que não o conhecem...
A estrela levanta-se para todos os povos. Ninguém fica excluído da sua claridade.
É verdade que há muitos que não vêem porque nunca tiveram oportunidade... mas há muitos também que não a querem ver… porque isso talvez os fizesse mudar tantas coisas… poria em perigo tantas vantagens… derrubaria tantas certezas… questionaria tantos projectos… Mas o problema maior talvez resida no medo de não poder resistir ao seguimento dessa luz...
Como é a minha relação com as pessoas? Aceito as diferenças? Percebo e aceito que também elas são profundamente amadas por Deus? Que Deus veio também para elas?
Como sinto a presença de Deus na minha vida? Deixo que seja Ele a orientar os meus passos, a iluminar os meus caminhos? Deixo que Ele questione os meus valores, os meus rumos?...

Momento de silêncio: (música de fundo)
Seguir a luz significa renunciar a ser o centro de tudo para seguir por outro caminho; talvez por isso tanta gente não queira seguir a luz de Cristo… tanta gente feche os olhos a tudo o que seja amor, fraternidade, atenção aos outros, serviço…
Como para os pastores, também para os Magos o encontro com Jesus foi de uma alegria imensa… o encontro com Jesus proporciona sempre alegria…
Já parámos para pensar nisso? Já fizemos essa experiência? Procura fazer memória de alguns momentos em que tenhas percebido e sentido a alegria do encontro com o Senhor.
Momento de silêncio (música de fundo)
Diante daquele recém-nascido os magos realizam um rito que era próprio daquela época e que indicava a submissão a alguém poderoso: prostram-se, rendem-lhe homenagem, oferecem os presentes que se ofereciam nessa altura no oriente…
Ao oferecerem os seus presentes, aqueles homens manifestam a sua disponibilidade para o projecto daquele Menino. Em troca, o Menino faz-se presente na vida deles.
Dar um presente significa marcar presença na vida daquela pessoa... comprometer-me com aquela pessoa... o compromisso, o fazer-se presente, muda a vida de quem dá... muda a vida de quem recebe. Une as vidas... gera compromisso... gera comunhão... muda os rumos...
Os Magos tinham-se comprometido a passar pelo palácio de Herodes. Voltar pelo caminho de Herodes seria pactuar com ele, com a sua tirania, com o seu projecto de morte... Mas o seu caminho de regresso foi diferente: quem se encontra, quem percebe a presença do Menino, quem se compromete com Ele, não pode mais trilhar caminhos antigos: o novo toma conta do seu coração, aponta novos critérios, novos ideais, estabelece novos projectos!...
E nós? Já nos abrimos à luz que é Cristo?
Ou preferimos que a nossa vida, os nossos projectos sejam iluminados por outro tipo de luz?
Ou preferimos que a nossa vida permaneça na escuridão do sem sentido, do vazio, da falta de ideal?
Quais são os valores que nos animam?
“Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo!”...
Que sinais percebemos na nossa vida da presença de Jesus? Como o adoramos?
Partilha com alguém da tua família e/ou grupo este tempo de reflexão (5 minutos)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Oração do Advento

O Tempo do Advento convida-nos a melhor prepararmos o Natal e o nascimento de Cristo.
Realizar-se-à no próximo dia 12 de Dezembro, pelas 21h30, na Igreja de S. Tiago, uma Oração do Advento.
É uma Oração aberta a toda a comunidade cristã da cidade.