terça-feira, 12 de janeiro de 2010

2.º Encontro de Equipas Coordenadoras

"Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu."

(Mt26, 14-15)

Shalom amigos!

Encontramo-nos a meio do nosso ano pastoral e a nossa diocese continua em Movimento mas, neste momento é tempo de pararmos para reflectirmos e avaliarmos o nosso trabalho deste primeiro semestre. Os Secretariados Paroquiais, através das EPA’s assumem um papel fulcral na missão de ir ao encontro dos jovens nas diversas realidades. É tempo então de avaliar, olhar para tudo o que de bom e mau aconteceu neste primeiro semestre, e com base nessa avaliação delinearmos o semestre que se avizinha.

Nos dias 30 e 31 de Janeiro irá decorrer, na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Castelo Branco, o 2º Encontro de Equipas Coordenadoras dos SP’s da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, onde contamos com a presença de todos os elementos das equipas coordenadoras. O encontro terá início no sábado às 10h, sendo o almoço partilhado, e terminará pelas 22h. O encontro terminará domingo às 14h30 com Eucaristia. As refeições estarão a cargo de uma equipa de serviço havendo no final do encontro partilha de despesas.

A ordem de trabalhos será a seguinte:

- Avaliação do 1.º semestre (Tragam as avaliações dos vossos SP’s e EPA’s);

- Marcação de actividades para o 2º semestre (Vejam em SP qual a melhor data para realização do curso do 2.º semestre);

- Economia da Diocese;

Material necessário para o Encontro:

- Recibos de despesas efectuadas no S.P;

- Declaração Bolsa do Seminarista e Declaração de Contribuição à Comunidade Shalom;

- Calendarização de actividades do S.P e das EPA’s para o 2.º semestre;

- Calendário 2009/2010 entregue na 1.ª Reunião de Equipas Coordenadoras ;

- Livro de Cânticos, instrumentos musicais;

- Papel e caneta;

Agradecemos que confirmem a vossa presença até dia 23 de Janeiro (Sábado), junto de qualquer elemento da Equipa Coordenadora Diocesana.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Homilia do Dia Mundial da Paz

O Bispo diocesano, D. Antonino Dias, presidiu, em S. Miguel da Sé, Castelo Branco, à Celebração Eucarística do Dia Mundial da Paz

A Liturgia celebra, no primeiro dia do ano civil, a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. Com esta celebração, a Igreja pretende colocar o novo ano, com todas as preocupações e cuidados, problemas e interrogações que ele encerra, sob a protecção maternal de Maria e quer também lembrar a importância da missão que Ela desempenha na História da Salvação, como Mãe do Salvador. A Maternidade de Maria, conforme lemos na Constituição Dogmática Lumen Gentium, “perdura na economia da graça sem interrupção, desde o consentimento que fielmente deu na Anunciação e que manteve inabalável junto da cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos. De facto, depois de elevada ao Céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” (LG 62). É, sem dúvida, na Maternidade divina que se encontra o fundamento da especial relação de Maria com Cristo e da sua presença na economia da salvação. “Efectivamente, a Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de Seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho.” Saudámo-la como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade. A Igreja católica, ensinada pelo Espírito Santo, consagra-lhe, como a mãe amantíssima, filial afecto de piedade (cf. LG 53).
E Maria não frustra as expectativas do homem contemporâneo. Pela sua condição de “discípula perfeita de Cristo” e de mulher que se realizou perfeitamente como pessoa, ela é uma fonte perene de fecundas inspirações de vida, e oferece aos homens a vitória da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão, da paz sobre a perturbação, da alegria sobre o tédio e da vida sobre a morte” (MC 57).
Mais: Jean Guiton escreveu que “a explicação teológica de Maria será um factor de união da Igreja do século XXI” e que “não será possível realizar nenhuma unidade sem ela” porque ela “é a pedra angular, graças à qual se encontram reunidas todas as aspirações da humanidade”. É verdade que “o nosso Mediador é só um…Jesus Cristo: Mas a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes manifesta a sua eficácia” (LG 60).
Caros fiéis
Estamos ainda a celebrar o nascimento de Jesus Cristo que foi anunciado pelos profetas como o Príncipe da Paz. “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”. No entanto, esta paz que Cristo nos veio trazer e nos deu não existe no interior de muitas pessoas. Não existe no seio de muitas famílias nem no seio da sociedade. A Igreja, desde há quarenta e três anos a esta parte, preocupada com a falta de paz, celebra, no primeiro dia do ano, o Dia Mundial da Paz para nos dizer que só Cristo é a Paz e que n’Ele todos somos irmãos.
Assim, o Santo Padre Bento XVI escolheu para este Dia: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. Colocando a criação como “o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus” ele afirma que “a sua salvaguarda se torna hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade”. Na verdade, se já são muitos os “perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral, devido à desumanidade do homem para com o seu semelhante … não são menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se não mesmo do abuso, em relação à terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu.” E acrescenta: embora “entre as causas da actual crise ecológica” esteja a “responsabilidade histórica dos países industrializados”, também os países menos desenvolvidos e emergentes devem assumir as suas “próprias responsabilidades” porque o “dever de adoptar gradualmente medidas e políticas ambientais eficazes pertence a todos”.
O Santo Padre alerta ainda para um conjunto de “problemáticas que derivam de fenómenos como as alterações climatéricas, a desertificação, a deterioração e a perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, a desflorestação das áreas equatoriais e tropicais”. Isto provoca “o fenómeno crescente dos chamados «prófugos ambientais»” que por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigados a abandoná-lo com prejuízo do acesso aos recursos naturais e vendo-se na urgência de “enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada”. Estas situações, refere, “têm um impacto profundo no exercício dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito à vida, à alimentação, à saúde, ao desenvolvimento”.
Perante a necessidade de fomentar uma verdadeira consciência ecológica, já o Santo Padre João Paulo II falava da necessidade de salvaguardar as condições morais de uma autêntica ecologia humana, social e cultural, com respostas novas capazes de inventar novos relacionamentos com a natureza, novos estilos e cultura de vida.
“O ser humano, denuncia Bento XVI, deixou-se dominar pelo egoísmo (…). No relacionamento com a criação, comportou-se como explorador pretendendo exercer um domínio absoluto sobre ela (…). E quando o homem, em vez de desempenhar a sua função de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebelião da natureza”.
É evidente que toda esta problemática reclama que se tomem medidas urgentes. Como sabemos, a Cimeira de Copenhaga sobre o clima não permitiu que os governantes do mundo se entendessem sobre as verdadeiras medidas a tomar. No entanto, compete à “comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo”. Torna-se, pois, necessário agir: por um lado, “no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jurídico e económico e, por outro, tendo em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regiões mais pobres da terra e às gerações futuras”.
Citando Paulo VI, Bento XVI acentua a necessidade de uma leal solidariedade entre as gerações. “Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever”. Mas não basta. Para além duma leal solidariedade entre as gerações, a Mensagem Papal fala também da necessidade de “reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração”. E faz votos para que se adopte “um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promoção e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consciência da necessidade de mudar os estilos de vida e na prudência, virtude que indica as acções que se devem realizar hoje na previsão do que poderá suceder amanhã”.
A «nova solidariedade» que João Paulo II propôs e a «solidariedade global» de que Bento XVI fala tornam presente a “forte relação que existe entre a luta contra a degradação ambiental e a promoção do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma dinâmica imprescindível, já que «o desenvolvimento integral do homem não pode realizar-se sem o desenvolvimento solidário da humanidade».
Em seguida, Bento XVI, refere-se às muitas “oportunidades científicas” e aos “potenciais percursos inovadores, mediante os quais é possível fornecer soluções satisfatórias e respeitadoras da relação entre o homem e o ambiente”, como sejam, “encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar”; prestar igual atenção à questão “da água e ao sistema hidrogeológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas. De igual modo se deve procurar apropriadas estratégias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas famílias, sendo necessário também elaborar políticas idóneas para a gestão das florestas, o tratamento do lixo, a valorização das sinergias existentes no contraste às alterações climáticas e na luta contra a pobreza. (…) Enfim, é necessário sair da lógica de mero consumo para promover formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e satisfaçam as necessidades primárias de todos”.
Em conclusão: o Papa defende que “proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa”; e que no combate à actual crise ecológica há “uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos”.
Fomentemos também nós a paz preservando a criação.
Amemos, respeitemos e contemplemos a natureza, verdadeiro livro aberto que nos fala do poder e da beleza de Deus e da grandeza do Seu amor por nós, homens e mulheres de todos os tempos.
Feliz Ano para todos!

+Antonino Dias
Bispo de Portalegre-Castelo Branco

domingo, 27 de dezembro de 2009

Dia de S. João Evangelista

O Movimento Encontros de Jovens Shalom tem como patrono S. João Evangelista sendo hoje, 27 de Dezembro, o seu dia. É o nosso patrono por ter sido o Apóstolo mais jovem, foi rebelde e interventivo como os jovens, e porque sempre acompanhou Cristo não o abandonado nem na hora da sua morte.
Como é habitual, todos os anos, os padres da Comunidade Shalom (Padres que estão ao serviço do Movimento Encontros de Jovens Shalom) fazem a renovação dos seus votos como sacerdotes ao serviço do Shalom. A celebração terá lugar na Casa da Comunidade Shalom, em Santo Amaro de Oeiras às 21h30.

Um pouco mais sobre S. João Evangelista...
S. João Evangelista foi o Apóstolo mais novo de Jesus. Era pescador de profissão e trabalhava com o seu irmão Tiago. Foi manifesta nos livros da Bíblia a admiração de João por Jesus. Jesus chamou-lhe o Filho do Trovão e posteriormente ele foi considerado o “Discípulo Amado”.Segundo os registos do Novo Testamento, João foi o apóstolo que seguiu com Jesus, na noite em que foi preso e foi corajoso ao ponto de acompanhar o seu Mestre até à morte na cruz. A História conta que João esteve presente, e ao alcance de Jesus, até a última hora , e foi-lhe entregue a missão de tomar conta de Maria, a mãe de Jesus.
Depois da morte e martírio de Tiago, o Justo (também conhecido como Irmão do Senhor), João teria se dirigido à Ásia Menor, onde dirigiu a importante e influente comunidade cristã de Éfeso, fundada por Paulo anos antes. João esteve várias vezes na prisão, foi torturado e exilado para a Ilha de Patmos, por um período de cerca de quatro anos, onde teria escrito o Apocalipse.
Faleceu em Éfeso no ano 103 d.C.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um Santo Natal

Advento - Construindo o Presépio Semana 4

Semana 4

Cântico:
de Natal, à escolha

Monição: Vamos contemplar o terceiro grupo de personagens. São intervenientes directos na encarnação do Filho de Deus. Se aos pastores e aos Magos é anunciado pelos Anjos ou pela estrela o nascimento do Menino, a estes é pedido algo: o seu consentimento. Sem o SIM de Maria e José a Salvação não se teria realizado naquele momento da História.
Há duas atitudes que interpelam nesta narração:
 por um lado Deus, o Senhor do Universo, precisar do consentimento de dois pobres mortais;
 por outro, a capacidade de Maria e José se desprenderem dos seus sonhos e projectos pessoais, para se colocarem inteiramente disponíveis para o projecto de Deus.
(Colocam-se as imagens de Maria e José no presépio)
Leitura: Lc.2, 1-7
Comentário: Maria e José sobem a Belém. São cerca de 120 km. Não é fácil para uma mulher grávida, no fim do tempo, fazer aquele percurso: os transportes daquele tempo eram o jumento e pouco mais. As suas posses também não dariam para muito... Eram jovens, determinados, sonhadores e, certamente, não lhes faltaria apoio pelo caminho. Talvez se juntassem a alguma caravana das muitas que nessa época cruzavam as terras de Israel em função do Edito de César...
Talvez não contassem é que... na terra de origem, as portas se fechassem para eles. A situação não era fácil: hospedar uma mulher no fim do tempo de gravidez era, no mínimo, arranjar uma carga de trabalhos... Depois... havia sempre uma desculpa: “Que pena, tenho a casa tão cheia... Sabem, com esta coisa do recenseamento...”
Não é o terem que se refugiar numa gruta que incomoda: naquela região havia muitas grutas que serviam de caves para as casas ou de abrigo para homens e animais. Nas casas e nas grutas pessoas e animais partilhavam os mesmos espaços... O que incomoda é a última frase da narrativa de Lucas: “...não havia lugar para eles na hospedaria”!
Eram galileus: gente pobre, desprezada, marginalizada... de pouca confiança... e, para mais, grávida!...
Parece que a história se repete hoje, quando se muda de passeio porque se vislumbra alguém de cor ou condição diferente... quando não queremos ser incomodados, quando ficamos aborrecidos porque nos pedem isto ou aquilo, esta ou aquela ajuda... quando, simplesmente, não queremos sair do conforto do nosso sofá... quando não queremos abrir os olhos para perceber a dor, a miséria, a situação de tantos irmãos nossos, muitos deles emigrantes, „que deviam era ser recambiados para as suas terras porque nem falam a nossa língua e até vêm roubar os nossos empregos...‟
Maria e José sofrem em silêncio o desprezo, a marginalização, as desculpas esfarrapadas de quem lhes fecha a porta...
Incomoda por demais toda esta situação, mas incomoda ainda mais o silêncio gritante que brota daqueles corações!...
Na gruta aquecida pelo bafo dos animais, Maria e José preparam um canto onde o seu filhinho possa nascer.
Pensemos um pouco na nossa vida: como aceitamos e nos relacionamos com as pessoas que não conhecemos, ou nos batem à porta, ou nos estendem mãos ansiosas de justiça, de conforto, talvez de uma palavra amiga... “Eu tive fome e tu deste-me de comer, estava doente ou na prisão e visitaste-me, estava nu e vestiste-me...” era um sem-abrigo, e tu cuidaste de mim... “Quando fizeste isto ao mais pequeno dos meus, foi a mim que o fizeste!”
Silêncio:
Vamos contemplar as figuras de Maria e José… vamos pensar naquelas pessoas com quem nos cruzámos hoje e que, talvez devido à rotina, nem percebemos…
Amanhã, possivelmente, vou cruzar-me com elas de novo… que atitude devo tomar?... O que vou fazer?
Silêncio…
Cantar o refrão:
Onde reina o amor
Fraterno amor
Onde reina o amor
Deus aí está!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal 2009 do Bispo de Portalegre-Castelo Branco


"O Verbo fez-se Carne e habitou entre nós".

Deus fez-se homem em Jesus Cristo. Nasceu da Virgem Maria e renasce na Igreja.
E tudo isto para nos salvar, nos revelar o Seu Amor, nos ensinar a amar e nos convidar a sermos sal e luz na construção de um mundo melhor. Conhecer e anunciar a Sua pessoa e a Sua Palavra, com o testemunho de verdadeiro discípulo, é a maneira mais sublime e eficaz de amar e servir a Humanidade, cada Família e cada Pessoa: só Jesus transforma em novo e novidade aquilo que o homem em si mesmo deixa envelhecer e destrói.
Reconhecer, amar e respeitar-se a si e aos outros como Jesus fez e ensinou continua a ser provocação e desafio que brota do silêncio divino e humano do Presépio numa estreita relação entre a simplicidade e a glória. Entre a riqueza divina partilhada com amor e a pobreza humana minimizada por tão extraordinário gesto de entrega gratuidade.
Celebrar o Natal de Jesus não é reduzi-lo a uma mera festa profana, dispendiosa e humilhante para o pobres, sofredores e excluídos. Celebrar o Natal é fazer ecoar por toda a terra a mensagem de Esperança que cada pessoa precisa de ouvir. É pedir aos líderes da sociedade que escancarem as portas do coração a Cristo Salvador, o Filho de Deus, se reencontrem n'Ele para servirem como Ele e Lhe peçam o dom da Sabedoria para bem orientar o destino dos povos que neles confiaram e estes possam viver com alegria e dignidade. É fazer com que o Reino de Amor e de Paz que Cristo tornou próximo se torne herança de todos. É fazer que cada pessoa se sinta reconhecida, amada e respeitada na sua dignidade e viva em recíproco sentimento e atitude.
Neste ano dedicado ao Sacerdócio Ministerial, e estando a nossa diocese tão carente de Presbíteros, que os nossos jovens, olhando o presépio em jeito de São João Maria Vianney - o Cura d'Ars - sintam o apelo de Jesus Menino a dizer-lhes que a "messe é grande mas os operários são poucos...". E numa atitude confiança, coragem e ousadia lhe abram o coração com generosidade e amor e decidam colocar a vida ao serviço do Seu povo.
Feliz Natal para todos!


Diocese de Portalegre-Castelo Branco, 15 de Dezembro de 2009

+Antonio Dias, Bispo Diocesano

domingo, 13 de dezembro de 2009

Advento - Construíndo o Presépio - Semana 3

Semana 3

Introdução:
Vamos agora lançar o nosso olhar mais longe, bem lá no horizonte. Uma caravana simbolizada (segundo a tradição) por três homens de raças diferentes, atravessa o deserto, guiada por uma estrela, em busca dum recém-nascido. Estranha, misteriosa, esta aventura: Vamos deixar-nos envolver por ela. Vamos, nós próprios, integrar essa comitiva para captarmos as motivações destas pessoas tão diferentes, mas com um mesmo objectivo.
Enquanto se proclama a leitura, colocam-se sobre o presépio as imagens dos Magos.

Leitura: Mt. 2,1-12
Comentador:
Quem são os magos?
O povo de Israel sempre se viu como o povo escolhido por Deus. Os profetas foram alimentando a esperança de que um dia Deus se faria presente num filho daquele povo e este filho os libertaria de todos os males e opressões… mas nunca lhes passou pela cabeça que Deus pudesse ultrapassar as fronteiras de Israel… que os outros povos pudessem ser salvos também...
Os magos eram pessoas que queriam ver essa salvação. No Oriente uma luz nova chamou a sua atenção e imediatamente se puseram a caminho…
A tradição encarregou-se de dizer que eram três, estes magos: três homens de raças diferentes, representando toda a Humanidade, como que a dizer que quando a estrela se levanta, ninguém fica fora da sua luz... Desde que Deus resolveu morar no nosso meio, ninguém fica excluído da sua luz. Mesmo aqueles que não o conhecem...
A estrela levanta-se para todos os povos. Ninguém fica excluído da sua claridade.
É verdade que há muitos que não vêem porque nunca tiveram oportunidade... mas há muitos também que não a querem ver… porque isso talvez os fizesse mudar tantas coisas… poria em perigo tantas vantagens… derrubaria tantas certezas… questionaria tantos projectos… Mas o problema maior talvez resida no medo de não poder resistir ao seguimento dessa luz...
Como é a minha relação com as pessoas? Aceito as diferenças? Percebo e aceito que também elas são profundamente amadas por Deus? Que Deus veio também para elas?
Como sinto a presença de Deus na minha vida? Deixo que seja Ele a orientar os meus passos, a iluminar os meus caminhos? Deixo que Ele questione os meus valores, os meus rumos?...

Momento de silêncio: (música de fundo)
Seguir a luz significa renunciar a ser o centro de tudo para seguir por outro caminho; talvez por isso tanta gente não queira seguir a luz de Cristo… tanta gente feche os olhos a tudo o que seja amor, fraternidade, atenção aos outros, serviço…
Como para os pastores, também para os Magos o encontro com Jesus foi de uma alegria imensa… o encontro com Jesus proporciona sempre alegria…
Já parámos para pensar nisso? Já fizemos essa experiência? Procura fazer memória de alguns momentos em que tenhas percebido e sentido a alegria do encontro com o Senhor.
Momento de silêncio (música de fundo)
Diante daquele recém-nascido os magos realizam um rito que era próprio daquela época e que indicava a submissão a alguém poderoso: prostram-se, rendem-lhe homenagem, oferecem os presentes que se ofereciam nessa altura no oriente…
Ao oferecerem os seus presentes, aqueles homens manifestam a sua disponibilidade para o projecto daquele Menino. Em troca, o Menino faz-se presente na vida deles.
Dar um presente significa marcar presença na vida daquela pessoa... comprometer-me com aquela pessoa... o compromisso, o fazer-se presente, muda a vida de quem dá... muda a vida de quem recebe. Une as vidas... gera compromisso... gera comunhão... muda os rumos...
Os Magos tinham-se comprometido a passar pelo palácio de Herodes. Voltar pelo caminho de Herodes seria pactuar com ele, com a sua tirania, com o seu projecto de morte... Mas o seu caminho de regresso foi diferente: quem se encontra, quem percebe a presença do Menino, quem se compromete com Ele, não pode mais trilhar caminhos antigos: o novo toma conta do seu coração, aponta novos critérios, novos ideais, estabelece novos projectos!...
E nós? Já nos abrimos à luz que é Cristo?
Ou preferimos que a nossa vida, os nossos projectos sejam iluminados por outro tipo de luz?
Ou preferimos que a nossa vida permaneça na escuridão do sem sentido, do vazio, da falta de ideal?
Quais são os valores que nos animam?
“Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo!”...
Que sinais percebemos na nossa vida da presença de Jesus? Como o adoramos?
Partilha com alguém da tua família e/ou grupo este tempo de reflexão (5 minutos)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Oração do Advento

O Tempo do Advento convida-nos a melhor prepararmos o Natal e o nascimento de Cristo.
Realizar-se-à no próximo dia 12 de Dezembro, pelas 21h30, na Igreja de S. Tiago, uma Oração do Advento.
É uma Oração aberta a toda a comunidade cristã da cidade.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Advento - Construíndo o Presépio Semana II

Semana 2

Introdução: Vamos sentar-nos à volta do presépio. Vamos contemplá-lo vazio… uma paisagem que nos convida ao silêncio, à contemplação do mistério… Deus revela-se através do simples… Vamos deixar-nos envolver por essa simplicidade…
Quando os evangelistas narram o nascimento de Jesus, apresentam-nos diversas personagens que interferem directamente no acontecimento: anjos, pastores, magos, Herodes, Maria e José...
Vamos seguir algumas destas personagens na sua caminhada até Belém. Vamos tentar perceber as suas motivações e anseios no encontro com o Menino do presépio. Talvez elas nos ajudem a encontrar-nos também com Ele. Comecemos pelos pastores:
Enquanto um leitor proclama o Evangelho vão-se dispondo no presépio as imagens dos pastores.

Leitura: Lc. 2, 8-20

Comentador: Os pastores passavam a noite ao ar livre a guardar o seu rebanho. Eram estranhos, tidos até como gente a evitar por serem meio selvagens e até perigosos. Estavam pouco acostumados à relação com as pessoas das aldeias e das cidades…
Habituados a viver à margem, com os seus rebanhos, achavam que as regras não eram para eles, o que os levava, muitas vezes a roubar e a invadir propriedades alheias com os seus rebanhos...
No campo religioso, a lei de Moisés, a lei que toda a gente fazia esforço por cumprir, também não lhes dizia nada… se calhar nem sequer sabiam que existia tal coisa… Ninguém sentia simpatia por eles...
Mas é precisamente a estas pessoas marginalizadas que chega a grande notícia que vai revolucionar as suas vidas: “Não temais! Trago-vos uma boa noticia, uma alegria para todo o povo. Nasceu hoje em Belém um Salvador. O Messias, Senhor”
Mal ouvem a notícia, correm à procura do salvador anunciado e são capazes de o reconhecer na figura simples e terna do Menino do presépio!.. Os pastores deixam-se encantar e cativar pela ternura daquele recém-nascido tão frágil!
Deus revela-se aos corações simples, aos marginalizados, aos fora-da-lei. É desconcertante: quando toda a gente esperava um Messias poderoso, eis que Deus vem na figura terna e frágil de um menino que dorme tranquilamente na pobreza de um curral de animais...
Vamos contemplar estes pastores. Vamos tentar perceber quem são os pastores (marginalizados) de hoje, a quem nós, mensageiros de Deus (anjos) precisamos de anunciar a boa notícia: “Não temais!”
Vamos tentar perceber o que significa esta mensagem...

Momento de silêncio

Partilha: cada um expressar os sentimentos, os questionamentos, os apelos que brotam desta reflexão (o que me diz, o que me pede…)
Vamos rezar por nós, para que o Senhor abra os nossos olhos e sobretudo o nosso coração para percebermos quem são os „pastores‟ de hoje e, com eles, nos deixarmos encontrar com Jesus. Vamos pedir-lhe que nos faça contagiar pela alegria de quem é capaz de reconhecer Jesus…Vamos pedir-lhe que nos ajude a derrubar as barreiras que nos impedem de aceitar os outros, os diferentes, os que estão à margem…
Pensando nesses nossos irmãos, vamos dar-nos as mãos para rezarmos a oração que Jesus nos ensinou:
Pai-nosso…

Rezámos „o pão-nosso de cada dia nos dai hoje…‟
Tudo o que temos veio de Deus… e é tanto!
A muitos irmãos nossos bastaria um pouco do que nós temos…
Os pastores partilharam da sua pobreza com o Menino…

Vamos também nós colocar na cesta o fruto da nossa renúncia desta semana enquanto cantamos um cântico de Natal (à escolha).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Advento - Construíndo o Presépio

O Movimento Encontros de Jovens Shalom, à semelhança do ano passado, propõe uma nova caminhada do Advento: Construindo o Advento.

Semana 1

A pouco e pouco vão-se acendendo as luzes lembrando-nos que o Natal se aproxima. Tempo de pensarmos nos amigos, nos familiares, nas crianças… tempo de trocarmos cartões e mensagens desejando-nos BOAS FESTAS… tempo de trocarmos presentes…
Tudo isto porque o Filho de Deus se fez presente na nossa História para dar sentido à nossa vida: “um Menino nasceu entre nós, um Filho nos foi dado…”
Curioso como os símbolos de Natal com que enfeitamos as ruas e as casas, se vão tornando, cada vez mais, símbolos de comércio, de consumismo… curioso como, devido à crise económica (leia-se social) que se vive, nos dê vontade de passarmos ao lado do Natal porque… não há dinheiro para folias.
Vamos voltar às origens do Natal? Vamos fazer dele a celebração de acção de graças ao Menino que veio para ser salvação? Vamos pôr de lado o Pai Natal tipo Coca-Cola, a preocupação com as excentricidades e as frases balofas de circunstância e vamos centrar a nossa atenção no mistério que celebramos?
Certamente que recordamos a campanha do ano passado, a do „presente3‟... Este ano queremos ir mais longe: gostaríamos que em cada família onde houver um Encontrista se fizesse um presépio. Atenção! O presépio não é para ser feito de uma vez: é para ser construído ao longo do Advento. Sugiro que esta semana, se monte toda a estrutura (base) do presépio. Depois, em cada semana, a partir da reflexão que iremos fazendo, vamos colocar as figuras do mesmo: pastores, magos, Maria e José e, finalmente, o Menino.

Duas propostas:
1. Que, preferencialmente, as figuras sejam colocadas no presépio durante uma reunião/oração/reflexão da família.
2. Junto ao presépio será colocada uma cesta. Em cada semana a família irá colocar na cesta um bem alimentar não perecível (arroz, massa, feijão…) expressando a renúncia pessoal em favor dos mais pobres…Estes alimentos serão levados para a celebração do dia 27 de Dezembro (Festa de S. João Evangelista) e entregues durante a apresentação dos dons. No final da missa serão entregues a uma instituição que trabalhe com os nossos irmãos mais pobres.

Creio que com esta campanha atingiríamos dois objectivos:
1. Contemplar o mistério da Encarnação: Deus veio habitar connosco.
2. Tornar-nos presentes na vida dos nossos irmãos mais desfavorecidos. Afinal … “o que fizerdes ao mais pequenino dos meus, é a mim que o fazeis”
Pronto! Mãos à obra! Vamos começar já a construção do nosso presépio. Ah Podeis fazê-lo também na vossa sala, em SP… E, já agora, não esqueçam a cesta: ela será um lembrete à vossa generosidade para com o irmão pobre!

Quisera fazer um presépio

Quisera fazer um presépio
Onde colocasse os mendigos, os inúteis,
Os desprezados e os sem dignidade
E todos os sem voz.
Quisera fazer um presépio
Onde colocasse todas as crianças,
Os rostos inocentes em cujo olhar de fome
Ainda mora algum acreditar.
Quisera fazer um presépio
Onde colocasse todos os que fazem a guerra
Os que matam por razões sem sentido,
Os que apunhalam o sonho
De povos e culturas inteiras
Atiradas ao abandono e enterradas
Em valas comuns.
Quisera fazer um presépio
Onde colocasse todas as mulheres
As belas, as feias, as santas,
As prostitutas de qualquer esquina
E as que se reconhecem na sua dignidade.
Quisera fazer um presépio
Onde colocasse os trabalhadores
Que por anos a fio nunca foram
Tocados pela justiça
Os que trabalham sem que as férias
Os cure e a dignidade os visite.
Quisera fazer um presépio
Onde colocasse os sem casa
Os sem-salário, os sem rosto,
Os sem nome
E os que se vangloriam do próprio nome.
Quisera fazer um presépio
Onde colocasse todos os homens
E mulheres da terra,
Os crentes e os que nunca deixaram
Aquecer o coração por nenhum acreditar.
Quisera fazer um presépio
Iluminado pelas cores de todos os rostos
Pelos olhares de todos os povos
Pelos sorrisos de um planeta inteiro
Buscando a paz.
Quisera fazer um presépio
Onde colocasse todos os rios
As florestas que ainda existem
E aquelas que a ganância já destruiu.
As praias onde ainda o sol se põe
E aquelas onde o lixo turvou as suas águas
Outrora cristalinas.
Quisera fazer um presépio
Onde colocasse todas as flores,
Todas as cores e bichos,
A criação inteira cantando em uníssono: Glória!
Quisera fazer um presépio
Onde finalmente já não fosse preciso
Colocar um recém-nascido, cheio de frio,
Um Deus-pobre iluminando todos os rostos
E aquecendo todos os corações.
Mas continuarei fazendo o meu presépio
Onde sempre coloco aquela imagem
Pequena e terna
Do Verbo encarnado
Que nasce no coração dos simples,
Daqueles que acreditam e têm esperança.